sexta-feira, novembro 25, 2011

Lendo para fugir e fugindo para ler.


"Desviei os meus pés de todo o caminho mau, para observar a tua palavra" (Salmo 119.101).

A luta contra o pecado é uma luta diária. Às vezes passamos por momentos "de trégua", mas isto não passa de ilusão, pois são nos momentos de aparente paz que tendemos a vigiar menos e, portanto, a cair quando menos esperarmos. E esta verdadeira guerra é travada de diferentes formas entre os irmãos em Cristo. O que para um de nós é uma grande batalha, pode não ser tão difícil assim de ser vencido para outro, e vice-versa. Mas, independente de qual seja o ponto fraco, cada um dos santos é tentado pelo pecado.

Entretanto, conscientizar-nos desta guerra feroz não é o bastante para vencê-la; assim como o simples saber que há um rifle apontado para a sua cabeça, não é suficiente para livrar da morte um soldado na guerra. É necessário sair da mira do pecado de modo ativo. Pois ficar esperando pela "sorte" de o nosso inimigo errar o alvo do nosso coração é simplesmente loucura! É imprescindível que corramos o mais rápido que pudermos para um lugar seguro, a fim de estarmos longe, bem longe, da mira do diabo.

Qual é, então, tal atitude de fuga ativa não somente das minhas grandes lutas, mas também as de todos os cristãos? A resposta é simples: a leitura bíblica. Isto pode aparecer frustrante para você, eu sei. Porque talvez você tenha buscado solucionar a sua falta de espiritualidade de muitas outras formas supostamente mais radicais como: jejuar por vários dias, não assistir televisão, não acessar o Facebook; e quem sabe você fez até um propósito de não acessar a internet durante um grande intervalo de tempo... Mas fique certo disto: em si mesmo, nada disso pode guardá-lo do pecado.

Eu sei que muitas vezes verdadeiramente é preciso fazer tudo isto que foi acima citado, mas o que estou afirmando é que sem ter a leitura bíblica como o fundamento sólido de sua fuga do pecado, todas estas coisas não passarão de superficialidade.

Portanto, analisemos o porquê de ler a Bíblia é a grande solução para vencermos a nossa luta contra a carne:

1) "Desviei os meus pés de todo o caminho mau..."

O salmista, inspirado pelo Espírito Santo de Deus, descreve a primeira etapa de nossa vitória contra o pecado: desviar-se do caminho mau.

O desviar-se do mal é fruto de um coração sábio, como escreveu o grande rei Salomão: "O sábio teme e desvia-se do mal, mas o tolo encoleriza-se e dá-se por seguro"[1]. E esta tem de ser a nossa atitude sincera: afastar-nos do pecado. Nós conhecemos as nossas fraquezas e, ao invés de testar a nós mesmos tentando descobrir até que ponto podemos ficar perto do pecado sem cair nele, devemos fugir delas e dos caminhos que podem nos levar até elas. Isto prova o nosso coração. Pois alguém que de fato quer vencer o pecado não pode ser lerdo ou desatento nesta batalha: precisamos fugir sobriamente do pecado.

2) "...Para observar a tua palavra."

Eis o porquê de fugirmos do pecado: para observar a palavra de Deus.

Lembre-se que este é um verso só, que possui uma ordem importante. Pois fugir do pecado para fazer outra coisa que não seja observar a palavra do Senhor é "morrer à beira da praia". Fuga do pecado e leitura bíblica são coisas que sempre andam juntas, pois uma gera a outra ciclicamente. Ou seja, nós fugimos do pecado para ler a Bíblia, e lemos a Bíblia para fugir do pecado, e assim sucessivamente, de modo que isso é algo constante em nossa caminhada cristã.

Diante do que já foi dito surge uma questão: "se eu sou um pecador, como posso ter forças para me afastar da iniquidade e, no lugar disto, buscar a Palavra de Deus?" Isto é muito interessante de ser analisado, pois se nos atermos somente no verso 101 do maior de todos os salmos poderemos cair em um erro antropocêntrico e legalista: o de achar que a nossa santificação provém de nós mesmos, e que ela depende fundamentalmente de nosso desempenho em buscar a Deus, porquanto "o desviar-se do caminho mau" vem antes do "observar a palavra". Mas para não cairmos em tal erro é necessário lermos outros versos deste maravilhoso salmo. Vejamos alguns:

"Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti"[2]: neste verso nós vemos que é o ato de guardar a Palavra no coração que irá nos preservar de pecarmos contra o Senhor;

"Considerei os meus caminhos e voltei os meus pés para os teus testemunhos"[3]: este verso mostra que a Palavra leva o cristão a considerar e discernir os seus caminhos, de modo que ele volte a observar os mandamentos de Deus em suas ações. Ou seja, por meio de Sua palavra, Deus nos repreende para que voltemos a obedecê-lo, e assim nos afastar do pecado.

"Pelos teus mandamentos alcancei entendimento; pelo que odeio todo o falso caminho"[4]: e este verso é bem direto: é pelo conhecer os mandamentos do Senhor que somos capacitados a odiar o pecado, e, portanto, fugirmos das transgressões.

Logo, o início do verso 101 ("Desviei os meus pés de todo o caminho mau") é fruto de algo que o salmista já tem retratado no decorrer desta canção inspirada: a observãncia da Palavra do Senhor Deus. Logo, a fonte de nossas forças nesta guerra é a lei do Senhor; pois é a leitura bíblica que nos leva a fugir do pecado e, por conseguinte, nos capacita a fugirmos dos maus caminhos para lermos e obedecermos à Palavra.

Tal ideia também é tratada pelo apóstolo Paulo na epístola aos filipenses: "[...] Operai a vossa salvação com temor e tremor. Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer quanto o efetuar, segundo a sua boa vontade"[5]. Portanto, conhecer esta verdade tem de nos guardar de toda a confiança em nós mesmos, e do legalismo de acharmos que é o nosso desempenho e a nossa capacidade de fugir da carne que nos mantém santos.

Que Deus nos capacite a vivermos na Sua santa Palavra, para que assim sejamos preservados em todo o nosso caminho, por amor ao nosso salvador Jesus Cristo e capacitados pelo Seu Santo Espírito.

Que Deus nos perdoe.

Notas:
[1] Pv 14.16
[2] Sl 119.11
[3] Sl 119.59
[4] Sl 119.104
[5] Fl 2.12b,13




terça-feira, novembro 15, 2011

Falando novas línguas – uma análise de 1 Co 14.


Para visualizar corretamente certos trechos do artigo, baixe as fontes gregas clicando aqui

Talvez não haja maior polêmica entre crentes de cunho tradicional e cessacionista e os pentecostais (em especial no Brasil) do que o fenômeno conhecido como “glossolalia”, ou seja, a prática espiritual do “Falar em Línguas”, que acompanha o movimento pentecostal desde o início de seu nascimento. Pode-se dizer que o dom de línguas ainda é mais debatido do que o de profecia, ainda que seja menos importante do que este. Seria o dom de línguas, assim como o de profecia, válido para hoje? Creio que debati sobre essa questão em artigo anterior, no qual tratei sobre o texto de 1 Coríntios 13. Todavia, é importante saber definir a natureza do dom de línguas, e seu correto exercício dentro do contexto da comunhão na igreja, tudo isso atentando para os preceitos da Palavra de Deus. Vejamos as dúvidas e objeções que comumente são afirmadas ou questionadas quando o assunto é a glossolalia.

- O Falar em línguas: conhecidas ou não?


Os dons de profecia e línguas estão intimamente ligados, sendo que ambos são encorajados pelo apóstolo Paulo no início do capítulo 14:

Segui o amor, e procurai com zelo os dons espirituais, mas principalmente o de profetizar. Porque o que fala em língua [desconhecida/estranha] não fala aos homens, senão a Deus, porque ninguém [o] entende, e em espírito fala mistérios. Mas o que profetiza fala aos homens [para] edificação, exortação e consolação” (vrs 1-3).

Paulo é bem enfático em seu encorajamento, apesar de todos os problemas envolvendo a igreja em Corinto, Paulo nem mesmo cogita um tipo de cessação temporária do falar em línguas, muito menos sua proibição. Todavia, os Coríntios deveriam seguir o curso da vida cristã, procurando zelosamente (zhloute) os dons espirituais, em especial o de profecia. Qual seria o motivo? Lembre-se que Paulo está tratando do correto uso dos dons dentro do contexto do culto público. Nesse contexto o dom de profecia é superior ao de línguas pelo fato que quem fala em profecia fala na linguagem comumente usada ou entendida pela congregação, quem fala em línguas aqui fala uma linguagem simplesmente não conhecida por ninguém, sendo que ninguém entende o que se está falando, mas em espírito fala com Deus coisas misteriosas (vrs 1). O resultado é a falta de edificação por parte da igreja. Há uma nítida diferença aqui entre o fenômeno descrito por Paulo e o que ocorreu no dia de pentecostes em Atos dos Apóstolos, quando a igreja fora cheia do Espírito Santo, as línguas que foram faladas ali eram idiomas conhecidos pelos que a ouviram:

E de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles.
E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. E em Jerusalém estavam habitando judeus, homens religiosos, de todas as nações que estão debaixo do céu. E, quando aquele som ocorreu, ajuntou-se uma multidão, e estava confusa, porque cada um os ouvia falar na sua própria língua.
E todos pasmavam e se maravilhavam, dizendo uns aos outros: Pois quê! não são galileus todos esses homens que estão falando?
Como, pois, os ouvimos, cada um, na nossa própria língua em que somos nascidos [ênfase acrescentada]? Partos e medos, elamitas e os que habitam na Mesopotâmia, Judéia, Capadócia, Ponto e Ásia, e Frígia e Panfília, Egito e partes da Líbia, junto a Cirene, e forasteiros romanos, tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes, todos nós temos ouvido em nossas próprias línguas falar das grandezas de Deus.” (At 2:1-11).

Seriam então o falar em língua desconhecida registrada em 1 Coríntios 14 do mesmo gênero do manifesto em Atos? O contexto e as declarações de Paulo apontam para uma resposta negativa. Em atos os crentes falam “noutras línguas” (e9te)raij glwssaij = outros idiomas) , já em primeira coríntios o que fala em língua não fala a homens, mas a Deus (ou0k a0nqropoiv lalei a9lla tw qew) , sendo que “ninguém entende, mas em espírito fala mistérios”( pneumati de lalei musthria). Paulo prossegue nos versículos subseqüentes mostrando claramente que no fenômeno apresentado na igreja em Corinto os ouvintes não conseguiriam entender:
Assim também vós, se com a língua não pronunciardes palavras bem inteligíveis, como se entenderá o que se diz? Porque estareis [como] que falando ao ar. Há, por exemplo, tanta espécie de vozes no mundo, e nenhuma delas é sem significação. Mas, se eu ignorar o sentido da voz, serei bárbaro [estrangeiro] para quem falo, e ele será bárbaro para mim” (vrs 9-11).

Alguns podem contra-argumentar afirmando que Paulo incentiva os coríntios a buscarem entender os idiomas falados pelo mundo e interpretá-los para o benefício da congregação, todavia o texto não está tratando aqui se as línguas são idiomas conhecidos ou não, mas sim o que acontece se não interpretarmos, seremos bárbaros para quem falamos e eles serão bárbaros para nós, sem uma comunicação inteligível, não há como haver comunhão (vrs 16). .
O que mais distingue as línguas aqui das de mencionadas em Atos era que no dia de pentecostes as línguas eram idiomas conhecidos (porém desconhecidos para os locutores) e anunciaram as bênçãos de Deus para os descrentes. Enquanto que em 1 Coríntios, isso só pode acontecer se houver um dom espiritual de interpretação:
Está escrito na lei: Por gente de outras línguas e por outros lábios falarei a este povo, e ainda assim não me ouvirão, diz o Senhor. De sorte que as línguas são um sinal, não para os fiéis, mas para os infiéis; e a profecia não é um sinal para os infiéis, mas para os fiéis” (vrs 21-22).
A situação como descrita por Paulo era clara. Caso algum descrente entrasse na congregação a fim de acompanhar o culto a Deus e visse os Coríntios falando em línguas, isso acarretaria em juízo para ele. Paulo explica isso utilizandoo exemplo da invasão assíria profetizada por Isaías, sendo o povo de Israel fora assolado por um povo de língua desconhecida. De modo semelhante, o infiel, ao ver o culto desordenado em Corinto, não entenderia a mensagem, taxaria os Corintos como loucos e, por conseguinte, não seria salvo (vrs 23)
O falar em línguas tem como propósito básico o mesmo dos outros dons espirituais: ele é útil para a edificação da igreja e trabalha em perfeita unidade com outros dons(1 Co 12) . O dom de línguas envolve o ato de orar e adorar a Deus louvando e glorificando-o, sendo algo extremamente íntimo do crente. Esse dirigir-se a Deus em línguas manifesta-se através de oração e cânticos (vrs 15) e também pode ocorrer em maior ou menor freqüência (vrs 18).  Nesse contexto são pronunciadas coisas ininteligíveis, tanto para o ouvinte quanto para o que fala; ainda que uma mensagem direcionada aos homens possa estar incluída. A partir de 1 Coríntios 14, vemos que o foco do falar em línguas não é a homens, mas sim a Deus em primeiro lugar. Comentando sobre o versículo um, diz o teólogo Wayne Grudem:
“O ponto principal do versículo é que só Deus pode entender as línguas sem interpretação, não que Deus seja o único a quem se pode m dirigir as palavras em línguas”.[1]

Então como deveríamos analisar o falar em línguas hoje? Seria o dom de línguas constituído apenas de idiomas ou uma língua desconhecida na terra? A resposta é: ambas. As instruções do apóstolo Paulo se aplicam para todos os casos em que esse fenômeno se manifeste, quer seja um idioma conhecido por algum ouvinte, quer seja uma língua desconhecida na terra e dada de forma sobrenatural pelo Espírito Santo. Por vezes há casos na história do movimento pentecostal que mostram os dois tipos de manifestações.Cabe agora analisarmos os padrões e mandamentos bíblicos concernentes ao uso do dom de línguas.
O dom de línguas e a congregação:


Infelizmente muito do que se vê nos círculos pentecostais não é o correto uso do dom de línguas (se é que tantos possuem o dom), mas por vezes um falar descontrolado, em voz alta, que não somente prejudica a oração individual, mas o próprio desenrolar no culto. Por vezes vemos apenas o falar em línguas sem o uso de interpretação, ocorrendo que em vez da igreja ser edificada, o que ocorre nada mais é do que uma desordem no culto e muitos manifestado o dom somente pelo manifestar, tal procedimento entra em choque com os firmes mandamentos declarados pelo Apóstolo Paulo.

Nada mais necessário do que atentar para a santa recomendação do apóstolo:

Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para a edificação. E se alguém falar em língua desconhecida, faça-se isso por dois, o quando muito três, e por sua vez, e haja intérprete. Mas se não houver intérprete, esteja calado na igreja e fale consigo mesmo, e com Deus.” (1 Co 14: 26-28).


Tal texto passa distante da leitura de muitos crentes, que acabam por cair em meninice espiritual. O texto de 1 Coríntios é claro, o falar em línguas, ainda que seja importante edifica somente aquele que fala, a nãos ser que haja alguém que interprete, nesse caso, nem mesmo deve se falar em línguas em voz alta no culto. Porém por vezes o que vemos são vários irmãos tendo os mesmos problemas que Paulo há muito procurou sanar. Os resultados são conhecidos: meninice espiritual, valorização demasiada do dom de línguas e em detrimento dos outros, escárnio e menosprezo de outros irmãos e pessoas de fora da igreja. É extremamente necessário que nossos ministros busquem serem fiéis no ensino bíblico concernente aos dons espirituais, e orientarem corretamente sua congregação na busca desses dons.
Conclusão:

O dom de línguas é uma realidade para a igreja hoje, por isso é mais do que necessário buscarmos genuinamente esse dom, porém sabendo que nem todos o receberão. Há certo tempo atrás escrevi que o maior problema das igrejas pentecostais hoje é o mesmo problema da igreja em Corinto. Ninguém está realmente tendo "ordem e decência”, e quase ninguém segue os padrões bíblicos de como tratar as línguas e profecias dentro da igreja. Todavia, tal quadro pode ser mudado. E a Escritura nos fornece clara direção para isso.





Soi Deo Gloria
Nota:


[1] GRUDEM, Wayne.Teologia Sistemática. Atual e exaustiva. São Paulo: Vida Nova, 1999.

quarta-feira, outubro 26, 2011

"Quando vier o que é Perfeito" - Uma análise de 1 Coríntios 13: 8-13




Desde o surgimento do movimento pentecostal, a controvérsia em torno da atualidade dos dons espirituais foi objeto de intensas disputas e controvérsias dentro do cristianismo protestante, sendo que afetou inclusive setores da igreja católica. No âmbito evangélico, pode-se dividir esse debate entre muitos reformados e dispensacionalistas, oriundos de igrejas protestantes históricas, que não crêem que dons como o falar em línguas e o exercício da profecia sejam válidos atualmente, assim também como não crêem em curas extraordinárias da parte de Deus. Os que integram essa ala são comumente conhecidos como Cessacionistas, porque afirmam que tais dons cessaram com o final da era apostólica. De outro lado há aqueles que integram o chamado  grupo de igrejas pentecostais, notadamente através das denominações Assembleia de Deus; e os Renovados/Carismáticos, que juntamente com alguns reformados que integram o grupo dos chamados neocalvinistas, como John Piper e Mark Driscoll¹, que crêem na atualidade dos dons espirituais para hoje. Os que pertencem a esse grupo são classificados como contemporaneístas, porque crêem na atualidade de tais dons no contexto eclesial de hoje. Como pentecostal, creio ser de grande valor fazer uma breve reflexão sobre esse delicado tema, tanto para a saúde como para a edificação cristã. Com um entendimento melhor das posições de ambos os grupos, muito poderá ser feito em prol de uma interação e enriquecimento espiritual mútuo.


As mais variadas críticas feitas na atualidade acerca do uso dos dons espirituais são feitas acompanhadas de críticas ao movimento pentecostal em geral. Muitas vezes pregadores como Benny Hinn são tidos como padrões do movimento carismático, assim também como a teologia da prosperidade como sinônimo de reflexão teológica pentecostal/carismática, junte-se a isso com problemas de ordem moral, litúrgica e soteriológica. Caso se concorde com todas as críticas feitas por muitos cessacionistas, dificilmente não se verá  o movimento pentecostal como algo pseudo-cristão de cunho herético. Tais críticas já foram  analisadas e refutadas de forma muito melhor do que este autor poderia sonhar em fazer (Vide excelentes artigos clicando aqui e aqui). É óbvio que não se pode classificar o movimento pentecostal como algo simplesmente homogêneo e denominá-lo herético. Comparar Mike Murdock com Stanley Horton ou Benny Hinn com Gordon Fee ou Myer Perlman simplesmente não faz justiça aos fatos. Todavia, é importante analisar a raiz do problema e depois chegar as demais conclusões. Teriam de fato os dons desaparecido? Seriam os pentecostais um grupo sub-cristão destituído de base doutrinária sólida? Antes de mais nada o problema é exegético, e antes de outras análises serem feitas, é mais do que prudente analisar um trecho-chave das Escrituras concernente a essa controvérsia. E esse trecho é o 1 Coríntios 13:8-13.

O apóstolo Paulo, lidando com vários problemas existentes na igreja em Corinto trata nos capítulos 12 a 14 de 1 Coríntios sobre o correto exercício dos dons espirituais na igreja. Um dos textos utilizados pelos cessacionistas é o já citado capítulo 13, dos versos 8 a 13 onde o apóstolo diz:

"O Amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas, havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; porque em parte vemos, e em parte profetizamos; mas quando vier o [que é] perfeito, então o que é em parte será aniquilado.
 Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino, mas logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.
Porque agora vemos por espelho, em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como sou conhecido.
Agora pois, permanecem a fé, a esperança e o amor,estes três, mas o maior destes é o amor."

Para muitos cristãos sinceros, o texto em questão não visa autenticar o correto exercício dos dons espirituais atualmente, mas simplesmente falar acerca do fechamento do Cânon escriturístico, ou algo derivado dele, o qual é o conhecimento de Deus revelado nas Escrituras.  Acerca deste texto, comenta o Rev. Josafá Vasconcelos:

"O grande problema aqui nessa passagem é a discussão perene sobre quem é o "teleion", o perfeito [do texto]. Seria Jesus? Ou a manifestação da sua glória? Seria o canôn das Escrituras? Quem, ou que é este "perfeito"? Meus irmãos, a regra elementar de hermenêutica manda que consideremos o contexto imediato e geral da passagem, que indicará o sentido da palavra. Do que Paulo  está tratando no sentido anterior? Não é a respeito dos exercícios que nos fazem conhecer a Deus e a sua vontade? o ponto básico da discussão é sobre "conhecimento". O que o apóstolo quer apresentar no capítulo 13? duas coisas:

1. Em relação à prática da igreja, ele fala do exercício daquilo que Deus outorga para a edificação do corpo, que sobretudo o amor deve nos nortear.

2. Fala do conhecimento de Deus e de Sua vontade. Ele está dizendo que  há um conhecimento parcial que se aperfeiçoará. Um ekmerous (palavra utilizada para conhecimento parcial - "em parte conhecemos") que caminha para o teleion que é o conhecimento perfeito. Não há como fugir disso aqui, é muito claro. No contexto ele fala ainda de infantilidade (ser como menino) e de amadurecimento (ser como grande ou adulto); usa, a metáfora do espelho: ver por espelho (instrumento imperfeito na época de Paulo para mostrar as coisas) e ver face a face (as coisas são mostrada de  um modo claro). Não sei porque a palavra 'teleion' não pode ser metafórica também. Porque tem que Deus ou a face de Deus, ou o céu, e não o que, pelo contexto, parece realmente ser, aperfeiçoamento do conhecimento genuíno."

Para Josafá, o dom de profecia era um sinônimo de inspiração plenário-verbal, ou seja a profecia era a Palavra de Deus sendo transmitida a igreja do primeiro século, que não contava com o Novo Testamento completo. A forma argumentativa é convincente, mas será que realmente diz aquilo que o texto apresenta? Vejamos por partes:

1. O Contexto de 1 Coríntios 13:

O contexto do texto em questão não se refere especificamente sobre o conhecimento de Deus através das escrituras, mas ao correto exercício dos dons espirituais, essa é a principal preocupação do apóstolo, como testemunhado no primeiro versículo do capítulo doze: "Acerca dos dons espirituais, não quero irmãos, que sejais ignorantes". A partir daí Paulo prossegue dando uma descrição da lista de dons espirituais possíveis de serem exercidos na igreja, sendo que seu propósito máximo é exaltar a Cristo como Senhor e glorificá-lo, sendo que cada dom, dado a indivíduos, são importantes para o aprimoramento do corpo de Cristo. Com isso o apóstolo repreende uma possível vanglória existente na igreja de Corinto, onde uns se achavam mais espirituais do que outros devido a exercerem determinado dom, mas todos são importantes para o bom funcionamento do corpo, e todos devem ser usados com amor. Com isso o apóstolo encoraja: "procurai com zelo os melhores dons, e eu vos mostrarei um caminho ainda mais excelente." (vrs 31).

2. O Texto de 1 Coríntios 13:

O capítulo 13 de primeiro coríntios  é um dos mais universalmente conhecidos das Escrituras, onde o apóstolo Paulo, após descrever a natureza de vários dos espirituais e sua importância, Paulo mostra a superioridade do amor, sendo que este não é um tipo de amor no sentido geral do termo ou um amor fraternal, mas o amor divino no qual todo genuinamente crente recebe:"Porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que no foi dado"  (Rm 5:5b). Tal "dom" é superior a todos os outros. Aí então entra o texto-chave para entendermos a questão da duração dos dons de sinais.

Ao mostrar a superioridade do amor sobre os dons de sinais, o Apóstolo então mostra a durabilidade do amor de Deus, tal amor é tão forte e superior que não pode falhar ("Ekpiptei", que também pode ser traduzido por acabar), ele durará para sempre, tanto nesta era quanto na outra. Enquanto isso, as línguas cessarão e a profecia será aniquilada, a ciência também desaparecerá (vrs 8) pois quando “o perfeito” vier (vrs 9) tais coisas já não serão mais necessárias. É aí que chegamos num impasse textual, e consequentemente doutrinário.

Muito se debate sobre o significado do termo "perfeito", sendo que a palavra grega original (teleion) possui uma variedade de significados como : Maduro, pleno, completo e também perfeito. Para cessacionistas como Vasconcelos, a melhor tradução aqui seria "maduro" ou "completo", pois o próprio Paulo faz uma comparação entre ser um menino e amadurecer como adulto. Mas então como entender a expressão ver face-a face? Tal texto deve ser entendido de forma metafórica juntamente com a comparação feita por Paulo.  Todavia, fica claro que a metáfora proposta por ele termina quando finaliza sua ilustração de infância-maturidade. O teólogo reformado Wayne Grudem pungentemente afirma:

"O uso da expressão  'face a face' no AT, no sentido não apenas de ver claramente, mas de ver Deus pessoalmente (no versículo acima) continua sem explicação. O fato de Paulo incluir  a si mesmo nas expressões "veremos face a face" e "então, conhecerei plenamente, da mesma forma como sou plenamente conhecido" impede que vejamos isso como uma referência ao tempo da finalização das Escrituras".
A tradução da palavra "teleion" nesse trecho é melhor expressa como "perfeito", ou então como "pleno", pois na verdade o texto não se refere propriamente ao Senhor Jesus, mas a Era vindoura, que somente será inaugurada quando Cristo voltar. Tal interpretação também se encaixa no contexto geral da epístola, haja vista o apóstolo saudar a igreja com um grande elogio:  "De maneira que nenhum dom vos falta, esperando a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo" ( 1 Co 1:7). O teólogo pentecostal Donald Stamps, comentando sobre esse trecho afirma:
"Os dons espirituais, como profecia, línguas e ciência terminarão no fim da presente era[século]...até chegar esse tempo, precisamos do Espírito e dos seus dons na congregação. Não há nenhuma evidência aqui, nem em qualquer outro trecho das escrituras de que a manifestação do espírito santo através dos seus dons cessaria no fim da era apostólica."
Conclusão:
Muito se pode ainda dizer sobre essa delicada questão, que separa muitos cristãos tradicionais (reformados e dispencacionalistas) dos pentecostais clássicos. Há implicações importantes que devem ser analisadas, porém creio que melhor seriam expressas em outros artigos.  Levando em consideração a importância da doutrina bíblica da atualidade dos usos dos dons de sinais, juntamente aliados com um correto uso desses dons. 

Permanece o importante fato: mesmo que haja abusos constantemente vistos em meios que se auto-proclamam como pentecostais genuínos, não menosprezemos a validade e a importância deste importante texto, que nos encoraja a buscarmos mais e mais ação do Espírito Santo em nossas igrejas, para a glória de nosso Senhor Jesus Cristo.

Soli Deo Gloria 


Notas:

[1] A crença da atualidade dos dons espirituais no meio reformado não é exclusiva aos neocalvinistas, sendo mesmo alguns reformados que não fazem parte desse movimento crêem na possibilidade de se repetir tal ação na vida da igreja. Na história da igreja, vemos vários reformados que criam e até mesmo tinham dons espirituais, como John Knox, Richard Baxter e Charles Spurgeon.

Referências:

Grudem, Wayne. O Dom de profecia: do novo testamento aos dias atuais. São Paulo: Editora Vida, 2004.
Stamps, Donald in: Bíblia de Estudo pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1995.
Vasconcelos, Josafá. Nada se acrescentará:. O que dizer das novas revelações de hoje? São Paulo: Os Puritanos, 1998.


terça-feira, outubro 11, 2011

Deus é soberano, então ore!


Deus é soberano sobre tudo e sobre todos. Nada deste mundo foge à Sua vontade soberana. Nem mesmo o circuito realizado por uma poeira em algum lugar do globo foge do decreto divino. Deus, de fato, reina sobre tudo- exatamente tudo!

"Mas o nosso Deus está nos céus, e faz tudo o que lhe apraz." [1]

E o que dizer do coração humano? Será que temos que ficar amedrontados com a livre agência das pessoas? Será que temos de nos desesperar ao vermos tanta iniquidade nas obras de nossos colegas e amigos? Claro que não. Como diz o sábio rei Salomão:

"Como ribeiros de águas é o coração do rei na mão do Senhor, que o inclina a todo o seu querer." [2]

Não estou desprezando a responsabilidade humana em suas escolhas. Cada homem dará conta de si mesmo a Deus. E aqueles que forem lançados ao inferno, serão lançados por causa de seus próprios pecados. Ninguém pode dizer que, ao pecar, "está fazendo a vontade de Deus, porque Deus é soberano". Deus não participa do pecado de ninguém, os homens são os únicos culpados de suas próprias iniquidades. Como Tiago ressalta:

"Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta. Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado por sua própria concupiscência." [3]

Mas estou focando mais intensamente nossas mentes na soberania de Deus, porque é exatamente esta doutrina que nos encoraja a orarmos. É saber que Deus reina, que nos dá esperança ao lutarmos em oração por nosso próximo, mesmo que este tenha o coração tão duro como o diamante, por causa de seu pecado. É saber que Deus tem poder para conceder arrependimento e fé até ao mais perverso pecador, que nos motiva a orarmos.

Então, oremos! Não importa qual seja a densidade das trevas à sua volta, ore. Mesmo que pareça não haver mais esperança para seus amigos e colegas, ou para este mundo como um todo, não pare de orar. Deus é soberano, e esperemos inteiramente em Sua graça sempre.

Que Deus seja gracioso conosco em nos conceder a graça de vermos acontecer ao nosso redor o mesmo que ocorreu com os ninivitas após a pregação de Jonas:

"E os homens de Nínive creram em Deus; e proclamaram um jejum, e vestiram-se de saco, desde o maior até ao menor. Esta palavra chegou também ao rei de Nínive; e ele levantou-se do seu trono, e tirou de si as suas vestes, e cobriu-se de saco, e sentou-se sobre a cinza. E fez uma proclamação que se divulgou em Nínive, pelo decreto do rei e dos seus grandes, dizendo: Nem homens, nem animais, nem bois, nem ovelhas provem coisa alguma, nem se lhes dê alimentos, nem bebam água; mas os homens e os animais sejam cobertos de sacos, e clamem fortemente a Deus, e convertam-se, cada um do seu mau caminho, e da violência que há nas suas mãos. quem sabe se se voltará Deus, e se arrependerá, e se apartará do furor da sua ira, de sorte que não pereçamos? E Deus viu as obras deles, como se converteram do seu mau caminho; e Deus se arrependeu do mal que tinha anunciado lhes faria, e não o fez." [4]

Que Deus nos perdoe.

Notas:
[1] Sl 115.3
[2] Pv 21.1
[3] Tg 1.13,14.
[4] Jn 3.5-10.






segunda-feira, outubro 10, 2011

Devocional: Você crê na Soberania de Deus?


"O Senhor tem estabelecido o seu trono nos céus, e o seu reino domina sobre tudo" (Salmos 103.19).

A soberania de Deus é o tema central da doutrina bíblica. Sem ela não temos nada. Crer num deus que não é soberano sobre tudo e todos em nada difere de crer num deus feito por mãos humanas, um deus inútil e nada diferente dos homens, e, mais que isso, inferior aos próprios homens. Pensar em um deus que não tem soberania é conceber um deus que não é criador, e sim criatura; um deus que não é rei, mas súdito; um deus que não é auto-suficiente, e sim completamente dependente de homens.

Mas o verdadeiro Deus é soberano. E a Sua soberania não tem limites: exatamente tudo o que ocorre neste mundo e no universo é controlado pelo Senhor. E Deus não está preocupado se Sua vontade será feita, como um rei que fica a caminhar ao redor de seu trono- confuso e ansioso; mas Ele está assentado em Seu trono com soberania completa, como o nosso texto declara: Ele tem o "seu trono nos céus, e o seu reino domina sobre tudo".

Esta verdade traz aplicações bem práticas para nossas vidas. Eu gostaria de trazer neste texto apenas uma:

Saiba que o contexto em que você está inserido, as pessoas que você conhece, as pessoas que você irá conhecer ou se deparar não são por acaso ou por coincidência- nem mesmo por sorte. Mas a verdade é que cada uma delas é controlada pela perfeita soberania de Deus. Cada coisa em sua vida é provida por Deus de modo soberano, e dada a você como um presente.

Que esta verdade nos faça repensar nossas vidas e nosso papel neste mundo. Que Deus nos conceda graça para que não enxerguemos nossas vidas e as pessoas que nos cercam como "meramente naturais". A fim de que O glorifiquemos em tudo isso. Termino esta reflexão com esta oração por nossas vidas:

"Senhor, não permita que nosso legado seja somente falar de modo teórico sobre Ti e Tua salvação em Cristo Jesus, Teu Filho. Mas que o Senhor nos use como teus instrumentos para que o Teu Nome seja glorificado em nossas vidas, famílias, amigos e aqueles que levares até nós por Tua maravilhosa soberania, através da pregação ativa de Teu Evangelho."

Que Deus nos perdoe.

sexta-feira, setembro 30, 2011

A Conferência Graphe e o estudo bíblico no pentecostalismo



Preletores e coordenadores da Conferência Graphe 2011

Como relatado no artigo anterior, há alguns dias atrás realizou-se a I Conferência Graphe, com, o tema central "A Cruz de Cristo". Dentro desse tema, vários tópicos foram abordados de forma expositiva, como o "Caminho da Cruz" e " A Mensagem da Cruz no Antigo Testamento". Pode-se dizer que tivemos um público razoável, principalmente durante à noite. Tendo como ponto de partida a Conferência, vale analisar um pouco sobre a atual fase que se encontra o mundo pentecostal assembleiano.

Quer atentemos ou não, o mundo pentecostal cada vez mais passa por uma forte transição em direção a uma homogeneidade geral, em especial dentro do cenário assembleiano, onde se impera cada vez mais o nepotismo, coronelismo, heresias doutrinárias, falta de preparo teológico, falta de caráter e comercialização da fé. Muito se tem falado afim de demonstrar as diferenças entre pentecostais e neopentecostais; porém creio que se o cenário permanecer como está, em breve já não haverá como fazer uma diferenciação legítima e autêntica. Todavia, alguma medida deve ser tomada, e isso inclui não somente os grandes, mas também os pequenos pólos bíblico-conservadores do pentecostalismo.

É cada vez mais importante que a liderança genuinamente preocupada com sua congregação local promova o ensino bíblico, na preparação de obreiros vocacionados, na pregação expositiva, mas também na prática de eventos voltados para essa área, que auxiliem como poderosa ferramenta o ensino já tradicionalmente ministrado. Em conferências locais, poderá se tratar, através de pregações expositivas, assuntos pertinentes às necessidades espirituais da congregação, assim também como um aprofundamento bíblico nestes mesmos assuntos, na conferência Graphe por exemplo, conseguimos através do tema "A Cruz de Cristo" mergulhar um pouco no profundo mar da doutrina da crucificação.

Não é fácil reverter o quadro que encontramos em muitas de nossas congregações. O pouco interesse dado a esse tipo de pregação alimenta por certo o desânimo que por vezes enfrentamos, porém, a bem da verdade, nosso foco não deve ser os meros resultados, sendo que estes pertencem a Deus. Nosso foco deve ser tão somente fazer o máximo que podemos para a glória d'Ele. Creio piamente que uma reação deve começar a acontecer. Quer sejam por meios de conferências ou outros eventos que promovam a saúde do pentecostalismo bíblico.

A cada semana, pela graça de Deus, o GQL blog exibirá uma pregação da conferência, que contou com a participação dos editores Victor Leonardo e Carlos Eduardo Leite, juntamente com o diácono Anderson Alan e o professor Laécio Costa. Enquanto as pregações não são exibidas, fique agora com o trailer oficial da conferência.



Soli Deo Gloria

sexta-feira, setembro 23, 2011

Devocional: O mundo e suas ilusões.


"Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo. E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas o que faz a vontade de Deus permanece para sempre" (1 Jo 2.15-17).

O mundo¹ é feito de ilusões. As ilusões não têm consistência, firmeza ou permanência; não são duráveis, muito menos eternas, e, num sentido mais profundo, nem são reais.

É interessante que este mundo não passa de três coisas: a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida. É isto, o mundo não passa disso. Desde alguém que busca satisfação em coisas proibidas até aquele que sacrifica o seu tempo e sua comunhão com Deus para obter riquezas e autossuficiência - tudo se resume a essas três ilusões.

Mas, infelizmente, são essas coisas passageiras e ilusórias que nos tentam dia após dia. O grande problema que temos de enfrentar é que quando somos tentados, tendemos a esquecer completamente da transitoriedade de tais coisas. Por exemplo: quando somos atraídos por belas garotas que não têm comunhão com Deus, verdadeiras ímpias, que levam suas vidas em carnalidades e mais carnalidades ou que não passam de "rostos bonitos", repletas de futilidades, ou seja, que não estão sendo conformadas à imagem de Jesus Cristo, nosso Senhor.

É por isso que temos de urgentemente meditar mais seriamente nas coisas eternas, para que não sejamos enganados pelas ilusões deste mundo. Principalmente, temos de nos unir mais a Cristo pela fé, pois somente com um novo coração, através de um novo nascimento é que podemos permanecer firmes diante de tantas tentações - pois o apóstolo João é bem claro: "[...] Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele".

Que Deus nos dê de Sua graça dia após dia, em Cristo Jesus, nossa única esperança da glória de Deus.

Que Deus nos perdoe.
¹ O mundo aqui referido não é o planeta terra em si, mas sim o sistema mundano corrompido pelo pecado.