"E eis que no mesmo dia iam dois deles para uma aldeia, que distava de Jerusalém sessenta estádios, cujo nome era Emaús" (Lc 24: 13)
Matt Chandler - 7 Milhas from iPródigo on Vimeo.
Extraído do blog IPRÓDIGO
"E eis que no mesmo dia iam dois deles para uma aldeia, que distava de Jerusalém sessenta estádios, cujo nome era Emaús" (Lc 24: 13)
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Extraído do blog IPRÓDIGO

"Ai de mim! Será que nasci para ver a ruína de meu povo e a destruição da cidade santa, deixando-me ficar sentado enquanto ela é entregue às mãos dos inimigos?"
Matias, sacerdote, pai de Judas Macabeu
"Se te mostrares frouxo no dia da angústia, a tua força será pequena"
Provérbios 24:10
A figura de um bom guerreiro é mais do que necessária para se travar um combate onde se pode sair vitorioso. Porém assim como todo e qualquer combate, há sempre ferimentos, perdas e outras consequências. No campo da guerra pela Verdade dentro de uma denominação cristã, tal fato não poderia ser diferente.
Os últimos problemas envolvendo a CGADB testemunham claramente a necessidade de uma mudança drástica de rumo administrativo, moral e espiritual, pois como muito bem o irmão Daladier Lima, o problema vai "de Norte a Sul". Tal problema não se deriva de uma mera crise institucional, com uma falta administrativa. Correlaciona-se com uma falta de caráter e testemunho cristão, evidenciando-se assim, um forte despreparo moral de uma liderança (falo no sentido geral) muitas vezes não chamada para exercer a vocação pastoral. O resultado é a criação de uma estrutura administrativa raquítica espiritualmente e rica em frutos pecaminosos. A CGADB só chegou a este tipo de crise espiritual porque há uma crise ministerial, algo que provavelmente vá muito além de púlpitos exclusivamente assembleianos, porém que provavelmente mais tem afetado a saúde espiritual da Assembléia de Deus como denominação cristã.
Há inúmeros novos evangelistas, diáconos e pastores surgindo a cada momento em nossa denominação. Os princípios espirituais utilizados nesta seleção para a consagração são mínimos. Escolhe-se pessoas para serem líderes porque possuem um forte carisma natural e são excelentes em citar Malaquias 3:10 para conseguir uma excelente quantia para aumentar o estacionamento e para a expansão do império ministerial, escolhem-se pessoas porque possuem grandes recursos financeiros para ajudarem na obra e a colocam em posição de destaque (muitas vezes isso não precisa nem mesmo de consagração) ou porque são protegidos por algum líder assim como o personagem Don Corleone nunca negava o pedido feitos por alguns de seus afilhados. Gutierres Siqueira faz uma importante observação:
"Liderança sem capacitação, sem talento e sem dons ministeriais abre espaço para, digamos, pessoas que alcançaram um ministério pastoral simplesmente por serem amigas do pastor presidente. É sério, isso existe e é muito grave. Gravíssimo por sinal, pois ordenar alguém sem dom paro o pastorado é irresponsabilidade e pecado. Outros pecados surgem quando gente talentosa (no sentido de chamada ao ministério) e capacitada não alcançam espaço. Exemplos não faltam: O nepotismo, o amiguismo, o fisiologismo etc." [1]
Possuo amigos que, como diáconos, são excelentes evangelistas e pastores, mas para alcançar esse grau na cadeia hierárquica, devem passar pelos "níveis menores" na sucessão eclesiástica. Quantas vezes inúmeros candidatos ao ministério foram "batizados no Espírito" porque se não preenchessem essa parte do questionário não seriam aceitos, e quantos candidatos com genuína vocação não são aceitos por não possuírem aquilo que Paulo suprime como qualidade necessária para o ingresso no ministério (1 Tm 3:1-13)?[2].
"Mas e daí?", alguém poderia objetar. "Não seria melhor nos preocuparmos com assuntos mais importantes, como a promoção do Evangelho para a salvação de almas do que com assuntos meramente políticos?", tal pergunta soa bastante espiritual a primeira vista e parece ser legitimamente genuína. Concordo que o assunto da salvação deve ser o centro da vida do trabalho de uma igreja. Todavia, será que realmente estaríamos preocupados com pessoas quando permitimos que mercenários teológicos estejam tratando de seus cuidados? Onde está o Evangelho e o testemunho cristão nisso tudo? Muitas vezes tais desculpas provém de alguém que pelo menos sabe que será frouxo no dia da angústia.
Dentro desse problemático contexto, o que se pode fazer é agir como um soldado disposto a combater pelo bom combate (1 Tm 6:12), se tiver que escrever, que se escreva, o que se puder falar, que se fale, o que se puder agir, que se aja. Isso possa aparecer um tanto quanto arrogante, como se os que levantam-se contra isso quisessem dar a aparência de heróis entre vilões, de cordeiro em meio aos lobos. Porém a verdade é claramente expressa na frase de William Sherman, General americano: " A Guerra é o inferno"[3]. Nessa batalha não há heróis como no sentido secular, seres humanos num patamar que alcançam feitos inigualáveis e por isso são reverenciados com glória dos homens, por isso posso afirmar que não há vencedores no sentido comum. O que mais importa é a Verdade, a Causa de Cristo, o Nome do Senhor sendo glorificado, só assim podemos ser classificados como vencedores, sabemos que temos um compromisso com o Senhor da Seara.
As mudanças institucionais são necessárias. Tão necessário quanto isso, é permanecermos nesta luta, ainda que para isso, tenhamos que passar por desânimos, dificuldades e frustrações. Isso é o que constitui um bom guerreiro segundo Cristo e tão exemplificado na vida do apóstolo Paulo. Só assim realmente tamparemos a cova que muitos se dispuseram a cavar, mesmo que inocentes morram nela.
Soli Deo Gloria
Notas:
[1] Extraído do artigo "Cavando a própria cova" de Gutierres Siqueira, publicado em seu blog Teologia Pentecostal.
[2] Apesar de muitas vezes isso ser um assunto controverso, creio que outro artigo específico sobre este tema seria mais adequado do que aprofundá-lo aqui. Ainda que a Assembléia de Deus seja uma igreja pentecostal e que enfatize o batismo com o Espírito Santo, precisamos lembrar que o Senhor é soberano na distribuição dos dons e Ele concede o batismo. A Bíblia não aponta em nenhum lugar o batismo com o Espírito como selo divino de aprovação ou até mesmo qualificação para o ministério pastoral.
[3] Citado por MACARTHUR, John. A Guerra pela Verdade. Fiel: São Paulo, 2008.
Seria interessante, caso estivessem vivos, ouvir a voz desses três indivíduos a respeito do aniversário de cem anos daquela que é considerada a maior denominação evangélica do Brasil, da qual eles fizeram parte com louvor. Não seria uma mera opinião do aniversário em si, mas o que está acontecendo no contexto de tão importante data. A opinião destes três homens certamente poderia causar polêmica, porque certamente não seria dada com o intuito de agradar nossos ouvidos carnais. Vejamos quem seriam estes três atrevidos:

A pergunta permanece: O que será que eles iriam dizer?
Soli Deo Gloria
Obs: recomendo a leitura do mais recente artigo de meu amigo Gutierres Siqueira que trata sobre esta delicada questão: Um Centenário Pior que o do Corinthians


Dando continuidade à minha imperfeita ilustração, tem-se:
Um colega [1] daquele rapaz chega a este e lhe pergunta:
"Por que você escolheu amar aquela moça? Você não percebeu o quanto que ela cheira mal devido à sua podridão? Ela já deve estar morta há uns 19 anos!"
Meu amigo, não se engane. Todos estão mortos em seus pecados- inclusive os eleitos. Não ache que a eleição transforma alguns pecadores em "menos mortos"(ou semi-mortos) que os outros. Como se os eleitos tivessem total capacidade em si mesmos para serem salvos e conhecerem a Deus- ou pelo menos uma pré-disposição para isso. Eles odeiam a Deus tanto quanto um não-eleito. Veja:
E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados,em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora nos filhos da desobediência. Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também.(Ef 2.1-3)
A eleição não consiste em produzir pecadores com bom coração, e sim em escolher ossos secos que serão vivificados pelo Espírito; nem consiste em criar pessoas menos injustas, e sim em decretar que algumas pessoas confiarão unicamente nos méritos de Cristo Jesus. Ou seja, a eleição realizada por Deus Pai envolve e está fundamentada nas obras de Cristo e do Espírito Santo.
"Eis que em iniqüidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe", disse o salmista Davi; e nenhum homem [2] que nasceu ou nascerá de mulher poderá fugir desta verdade: todos nascem pecadores. Completamente maus- não simplesmente sujos e e contaminados com o pecado, e sim rebeldes que odeiam a Deus. Logo, todos os homens são inimigos de Deus e merecedores da terrível e santa ira de nosso Juiz.
C
omo um juiz humano seria injusto se ele não condenasse um criminoso, baseado na confissão e nos pedidos de perdão deste; Deus seria, também, injusto se Ele não trouxesse punição ao pecador. Porém, "Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus- O qual por nossos pecados foi entregue e ressuscitou para nossa justificação; e ao Senhor agradou o moê-lo, fazendo-o enfermar" [3]. Jesus levou sobre si as nossas iniquidades e recebeu todo o cálice da ira de Deus que era contra nós. A justiça de Deus foi cumprida
A salvação está disponível a todos. Quem vir a Ele de maneira nenhuma será lançado fora. O chamado dEle é real e verdadeiro para todos- eleitos e não-eleitos. Entretanto, quem virá a Cristo se não há um justo sequer; se não há ninguém que busque a Deus? Ninguém! Pois todos estão mortos e jamais poderão vir a Cristo por si mesmos. É totalmente necessário nascer de novo. Porque somente através de um novo nascimento os pecadores poderão vir a Ele verdadeiramente.
"E quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça, e do juízo". A regeneração (o novo nascimento) é obra total e exclusivamente do Espírito Santo. Nenhum pregador- por mais piedoso que ele seja- pode dar vida a pecadores- mesmo que ele tente usar tudo quanto é tipo de artifícios humanos. É o Espírito Santo que que irá operar sobrenaturalmente- através da pregação do Evangelho- em pecadores para que estes se arrependam de seus pecados e creiam em Cristo (o arrependimento e a fé são concedidos por Deus). É Ele que vivifica mortos e malditos pecadores; não porque estes escolheram ir a Cristo, mas porque Deus nos amou primeiro. Ou seja- para ratificar-, a regeneração começa antes mesmo da conversão; o Espírito Santo usa a Palavra para nos iluminar: "Lâmpada para os meus pés é a tua palavra, e luz para o meu caminho". Sem a Bíblia, permaneceremos em total escuridão.
Como eu já disse, "a salvação está disponível a todos". E isso é uma grande verdade. Entretanto, somente os eleitos serão salvos. Ratificando: "a eleição consiste em escolher ossos secos que serão vivificados pelo espírito; e em decretar que algumas pessoas confiarão unicamente nos méritos de Cristo Jesus". Mas não veja isso como um chamado à negligência da pregação do Evangelho; como se você tivesse que selecionar pessoas para ouvirem o Evangelho, pois ele tem de ser pregado a todos. Também, por favor, não confunda ninguém especulando se tal pessoa é ou não eleita. "A árvore será conhecida pelos seus frutos". E lembre-se que pessoas simplesmente bem dispostas podem não receber a salvação (veja Mt 19.16-22); e que perseguidores do Evangelho podem recebê-la (veja At 9.1-18).
Concordo plenamente com as sábias palavras de J.I. Packer:
A reprovação é uma realidade bíblica (Rm 9.14-24; 1 Pe 2.8), mas não a que se relaciona diretamente com a conduta cristã. Até onde os cristãos saibam, os reprovados não tem face, não nos cabendo tentar identificá-los. Devemos, antes, viver à luz da certeza de que qualquer um pode ser salvo, se ele ou ela arrepender-se e colocar sua fé em Cristo.
Portanto, concluo dizendo que a doutrina da eleição, ao invés de ser um desestímulo, é um grande incentivo para a proclamação do Evangelho. Pois por meio dela temos a certeza de que Deus irá vivificar pecadores plenamente mortos que, se não fossem eleitos por Deus, jamais teriam esperança de salvação.
Que Deus nos perdoe.
P.S.: Creio que ainda devo escrever no mínimo mais um artigo sobre este tema. Orem por nós. Que Deus nos abençoe, irmãos e irmãs em Cristo.
Notas:
[1] É claro que nada nem ninguém coexistia com Deus na eternidade passada. Por isso ninguém poderia questioná-lo sobre a eleição. Eu só usei a ideia deste colega para sugerir uma reflexão sobre a podridão do homem.
[2] Jesus, o Deus- Homem, é a única exceção disso. Ele não nasceu pecador (por isso que o nascimento virginal de Cristo é importante).
[3] Textos citados: João 3.16-18; Romanos 4.25 e Isaías 53.10.


Devido a uma série de atividades como estudo, aulas e produção de provas para a Escola Dominical, a GQL acabou deixando de publicar alguns artigos na semana passada. Todavia, alguns em breve serão postados como a continuação do último artigo de Janyson Costa e um novo artigo de Nilton Rodolfo, que servirá como prévia para uma série de artigos sobre o calvinismo. Algo já relatado aqui neste espaço.
Agradecemos a compreensão dos amados leitores e blogueiros do GQL. Logo Voltamos!
Soli Deo Gloria