
Primeiramente,
Siqueira afirma que o uso do termo “Confissão de fé” é
inapropriado, por ser algo associado às grandes confissões do
período da Reforma e pós-reforma, como os Trinta e Nove Artigos
da igreja Anglicana, a Fórmula de Concórdia dos luteranos,
ou a célebre Confissão de Fé de Westminster, dos
presbiterianos. Os “Credos” seriam os antigos documentos antigos
da cristandade (Credo Apostólico, Atanasiano, Niceno, etc). Todavia,
ainda que a síntese histórica de apresentada por Gutierres se
justifique, as definições técnicas não correspondem totalmente
com essa descrição. No dizer de Paulo Anglada: “Os credos são
declarações de fé resumidas... as confissões distinguem-se dos
credos em extensão, por serem mais detalhadas, e quanto à época em
que foram escritas...”2
.
O termo “Confissão” foi empregado até meados do século XIX e
se refere a um documento que declara a crença de determinada
denominação de forma mais pormenorizada e sistemática, produzindo,
como consequência, um sistema de teologia. Logo, o fato do pastor
Josué Gonçalves denominar o documento assembleiano de “Confissão
de Fé” não está longe da verdade como parece ser, ainda que, na
era atual, a expressão “Declaração de Fé”, seja mais
sofisticada.
Em segundo lugar, é
interessante notar a questão da controvérsia calvinista e a
produção dessa nova declaração. Acerca de não haver nenhum
obreiro calvinista dentro do conselho, Gutierres comenta:
“Esse tipo de pergunta só faz quem não conhece a denominação. Os pastores calvinistas nas Assembleias de Deus são um grupo importante, mas ínfimo. A denominação tem milhares de pastores e milhões de obreiros, mas os declaradamente calvinistas não enchem um ônibus, especialmente entre aqueles com acesso a postos de influência nas convenções estaduais. É claro que é sempre bom ouvir a divergência, mas sem delimitação esse trabalho duraria anos ou até décadas”
Essa declaração
pungente seria prontamente aceita por mim, se quase todos os
envolvidos na confecção não fossem arminianos militantes e
duramente contra o calvinismo e se essa Declaração não fosse
escrita em meio a uma controvérsia envolvendo esse sistema
teológico3.
Por um caminho melhor.
Não há problema, a
meu ver, de uma Declaração de Fé, na verdade, penso ser um
passo denominacional importante rumo a uma maturidade doutrinária, ordem em meio a confusão e erros do neopentecostalismo, e assume
uma validade confessional necessária à denominação. Todavia,
penso que tal documento precisa ser feito com cuidado e tolerância
evangélica necessária com relação a questão principal envolvendo
calvinismo e arminianismo, pelo menos seguindo um pouco a Declaração
Doutrinária da Convenção Batitsa Brasileira, que dá certa
liberdade a ambos os sistemas, ainda que tenha uma certa tendência
arminiana em seu bojo doutrinário4.
Como será essa
Declaração? Apenas o futuro dirá. Porém temos firme confiança
num futuro dirigido pela providência perfeita do Rei dos Reis.
Amém!
Soli Deo Gloria!
1 Para
saber mais sobre esta questão, leia dois \rtigos escritos por
Gutierres Siquera disponíveis nos seguintes links:
2 ANGADA,
Paulo. Sola Scriptura: A doutrina reformada das Escrituras. 2° ed.
Ananideua: Knox Publicações, 2013 p. 21
3 O
fato de serem poucos os estudiosos envolvidos nesta questão não
desmerece o documento como uma Confissão representativa. No dizer
de Anglada: “um credo ou confissão de Fé pode ser pessoal.
Comumente, entretanto, esses termos são empregados para designar
credos e confissões que, embora possam ter sido escritos por uma só
pessoa, adquiriram representatividade, tendo sido adotados por
igrejas, movimentos ou denominações” (Cf. ANGLADA, Op. Cit. p.
22)
4 Isso
não só se refere a questão da controveŕsia Arminiano/Calvinista,
mas pode também se aplicar em alguns pormenores, como por exemplo a
questão do Dispensacionalismo Clássico/ Progressivo, a
questão do pré/mid-tribulacionismo, ou até mesmo, com
certo cuidado, a questão do Criacionismo Terra Jovem/Antiga
(o Evolucionismo Teísta ou Criacionsimo Profressivo estaria
totalmente fora de questão).
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