sábado, dezembro 30, 2017

Minhas principais leituras de 2017


Leitura é alimento. Obviamente, não para o corpo; mas, para a alma. Se você deseja desenvolver-se como pessoa, o caminho da leitura é praticamente inevitável. Assistir a bons vídeos e ouvir conteúdos saudáveis são meios interessantes de aquisição de conhecimento. Porém, tais meios não se equiparam à leitura. Ler exige que você pare de fazer outras coisas. Exige concentração. Até certo ponto, exige silêncio. Sem dúvida, a prática da boa leitura é arma poderosa contra a forte sedução à distração desenfreada de nossos dias.

Pense nos livros do seu plano de leitura como a dieta para a sua alma. Todos sabemos quão delicioso é consumir pizza e sorvete. Se você já teve o prazer de conhecer Belém do Pará, você deve ter guardado no coração a maravilhosa sensação de tomar açaí. Entretanto, embora às vezes nos esqueçamos disto, sabemos que preencher nossa dieta apenas com sobremesas não é saudável. Sem boa variedade de consumo de alimentos, inclusive daqueles vegetais não muito saborosos, ficaremos desnutridos. Assim, também, devemos ter boa variedade de leituras para crescermos saudavelmente.



Tony Reinke, no espetacular livro Lit!, recomenda que todo leitor deve estabelecer prioridades para definir quais livros ler no ano, a fim de possuir boa dieta de leitura. Para escolhermos as nossas, é muito válido, primeiramente, vermos quais as prioridades de Tony. Cito-as abaixo.



1) Ler a Bíblia;

2) ler para conhecer e deleitar-se em Cristo;

3) ler para atiçar reflexão espiritual;

4) ler para iniciar mudança pessoal;

5) ler para buscar a excelência vocacional;

6) ler para desfrutar de uma boa história.

Gosto destas prioridades porque elas envolvem tanto a leitura de bons livros teológicos e doutrinários, quanto de livros de ficção e fantasia, para diversão saudável. Decerto, esta lista é ótimo ponto de partida para elaboração de nossa própria lista de prioridades. Tomando-a como modelo, o importante é não fazer uma dieta de leitura desbalanceada. Por exemplo, ler ficção o ano todo é semelhante a tomar sorvete em toda refeição: é até saboroso, mas nos deixa desnutridos mental e espiritualmente. Afinal, um dos papéis fundamentais deste tipo de literatura é nos ajudar a enxergar, por outra perspectiva, a realidade à nossa volta. Mas se passarmos o ano todo em outros "universos", como utilizaremos a fantasia adequadamente para ler o nosso próprio mundo?

Antes de apresentar as minhas principais leituras deste ano, gostaria de incentivar você a ler mais. Primeiro, saiba que é possível. Ler mais de dez livros por ano não é apenas para os excepcionais. Longe disso. Segundo, você precisará de disciplina para planejar e administrar o seu tempo melhor. Por exemplo, já pensou se aqueles minutos gastos com facebook e instagram nos primeiros momentos do seu dia, após as refeições e antes de dormir fossem convertidos em tempo de leitura? Se eu incentivar você a ler pelo menos uma hora por dia, talvez você se assuste. Mas pare para somar o tempo total gasto com os seus momentos nas redes sociais ao longo do dia; é bem provável que ele seja muito maior que sessenta minutos.

Finalmente, vamos às minhas principais leituras de 2017. Elas estão organizadas em categorias. Espero que você tire proveito delas.

Cosmovisão Cristã

1. Nancy Pearcey. Finding Truth (David C. Cook, 2015)

Esta foi a minha primeira leitura de Nancy Pearcey, e tal obra já entrou para o hall da fama. A autora consegue abordar temas difíceis de maneira clara e consistente.

Para quem quer se aventurar na leitura de livros em inglês, Finding Truth: 5 Principles for Unmasking Atheism, Secularism, and Other God Substitutes [Encontrando a Verdade: 5 Princípios para Desmascarar o Ateísmo, o Secularismo e Outros Substitutos de Deus] é ótima pedida. Como Nancy escreve de maneira simples, até quem não é muito bom em inglês consegue lê-la. (Acredite em mim, falo por experiência própria.)

Em suma, esta pérola é um maravilhoso manual de apologética. Conforme abordado neste livro, geralmente os cristãos são ótimos em dizer "não". Muitos pais e professores cristãos facilmente dizem "isto faz mal", "isto é errado" ou "você precisa orar mais", quando seus filhos e alunos fazem perguntas acerca de assuntos que deixam a fé destes em jogo. Porém, sem uma resposta sólida, a imagem que se passa aos mais novos é a de que o cristianismo só possui negações. Como se a fé cristã não fosse capaz de responder objetivamente aos anseios do homem moderno.

Para corrigir isso, Nancy Pearcey aborda cinco princípios, baseados em Romanos 1, para desmascarar qualquer cosmovisão que tente usurpar o lugar de Deus. Estes princípios estão indicados abaixo.

1) Identifique o ídolo;

2) identifique o reducionismo;

3) teste a cosmovisão contra os fatos da experiência;

4) mostre que toda cosmovisão reducionista é autodestrutiva;

5) defenda a cosmovisão cristã.

Resumidamente, toda cosmovisão não cristã adota algum elemento da criação como o princípio pelo qual tudo o mais será explicado e analisado. Assim, identificar este elemento (ídolo) é o primeiro passo. O segundo passo consiste em identificar o reducionismo decorrente desta idolatria. Por exemplo, se idolatramos a capacidade de trabalhar, tal cosmovisão levará ao desprezo pelos idosos e doentes. Isto é sério, pois, neste tipo de cosmovisão, os mais fracos são descartáveis.

Terceiro, este pensamento não condiz com o que experimentamos diariamente. As pessoas têm valor intrínseco, independentemente de suas capacidades laborais – é só perguntar a pais cujos filhos possuem algum tipo de deficiência que os impede de trabalhar. Quarto, tal pensamento comete suicídio. É só aplicar o princípio fundamental na própria cosmovisão: se todos que não trabalham são inúteis, isso envolve os próprios propagadores deste pensamento, pois todos já fomos bebês frágeis e sem capacidade laboral imediata.

Finalmente, o quinto princípio consiste em mostrar como a cosmovisão cristã é coerente. Tendo o Deus verdadeiro como o fundamento de seu pensamento, a cosmovisão cristã afirma que os homens têm valor por quem eles são, e não pelo que fazem. Todos os homens são pessoas (e não simplesmente "humanos"), independentemente de terem, ou não, alguma limitação física ou mental.

Além de tudo isso, Nancy termina o livro com um capítulo sobre "Como o pensamento crítico salva a fé", enfatizando que a forma mais fácil de absorvermos más cosmovisões é nunca ter pensado acerca delas. Isto é fundamental para universitários cristãos. Pois enfrentar maus pensamentos presentes na academia sem possuir algum filtro pré-estabelecido, é tão perigoso quanto lançar um recém-nascido numa vala – doenças, ou até mesmo a morte, virão daí.

Finding Truth possui 384 páginas, compreendendo um guia de estudo para o leitor dominar o seu conteúdo. Li a versão em kindle, pois estava com ótimo desconto. Vale demais a leitura.

Excertos:

"[...] Isto explica por que a Bíblia não contrasta o cristianismo com o ateísmo, e sim com a idolatria. [...] Os humanos têm a tendência de olhar para algum poder, princípio ou pessoa para a vida fazer sentido e dar algum sentido para ela. E isto constitui a de facto religion deles, quer eles utilizem linguagem religiosa ou não." (43)

"Qual a conexão entre ídolos e comportamento imoral? A ligação é que ídolos sempre levam a uma visão inferior acerca da vida humana. A Bíblia ensina que os humanos foram feitos à imagem de Deus. Quando uma cosmovisão troca o Criador por algo na criação, ela também trocará uma visão elevada de humanos feitos à imagem de Deus por uma visão inferior de humanos feitos à imagem de algo na criação.

"Poderíamos dizer que qualquer conceito de humanidade é criado à imagem de algum deus." (44)

Santificação, Produtividade e Aperfeiçoamento Profissional

2. Tony Reinke. 12 Ways Your Phone is Changing You (Crossway, 2017)

Este é o terceiro livro que leio de Tony Reinke. Gosto demais de como ele escreve. Ele é ótimo exemplo de que a boa teologia é aquela que é aplicada às várias áreas da vida. Nesta obra, Tony começa com uma breve teologia da tecnologia e, então, parte para o título do livro propriamente dito -- 12 Ways Your Phone is Changing You [12 Maneiras em que o Seu Telefone está Mudando Você]. Como utilizarei este livro em postagens futuras, serei bem breve nesta descrição. O livro possui 222 páginas, compreendendo índice remissivo e índice de textos bíblicos. Graças a Deus, tive o prazer de adquiri-lo na versão impressa no primeiro semestre deste ano. Aliás, soube que a editora Concílio irá traduzir este livro. Esta é ótima notícia. Para você entender melhor qual o conteúdo deste livro, verifique estes vídeos depois: vídeo1 e vídeo2.

Excertos:

"Na realidade, somos finitos. Assumimos que podemos dirigir carros, ler e escrever em nossos celulares tudo ao mesmo tempo, mas somos mais fracos do que nossas suposições. Existir é estar confinado em limitações físicas -- limites e limiares que limitam o que podemos perceber e realizar. Quando vemos nossas vidas sempre através de vidro, esquecemo-nos de que somos feitos de carne e sangue." (63)

"[...] De um lado, a pornografia grátis, acessada em um smartphone, é agora culturalmente 'um perigo público de seriedade sem precedentes'. Mas de modo ainda mais preocupante, entre cristãos, a pornografia grátis acessada em um smartphone representa uma epidemia espiritual de gravidade sem precedentes na história da igreja, retirando de uma geração inteira de jovens cristãos a alegria deles em Cristo e corroendo almas de jovens pelo ácido do desejo descontrolado." (135)


3. Tim Challies. Do More Better (CruciformPress, 2015)

Este livro mudou a minha vida. Ele possui apenas 121 páginas, mas é poderoso. Primeiro, o autor gasta quatro capítulos tratando acerca do propósito de nossa criação: glorificarmos a Deus. E assim, toda a nossa motivação para sermos produtivos deve continuar sendo esta. Se perdermos isso de vista, não importa quantas tarefas consigamos efetuar em um dia, tudo isso não será legítimo culto a Deus e o princípio de que fazemos tudo para a glória de Deus não passará de brincadeira. Na segunda parte do livro, Tim Challies compartilha alguns princípios para ser produtivo. Brevemente, as explico abaixo.

1) Você precisa de uma plataforma que contenha apenas a lista de tarefas que você pretende realizar. Isto é semelhante à lista de compras do supermercado, cujos itens são riscados à medida que você os coloca no "carrinho";

2) você precisa de uma plataforma que possua todas as informações que você ache relevante para efetuar as tarefas pretendidas;

3) você precisa de uma agenda. Seus compromissos e prazos devem estar facilmente à disposição;

4) você precisa utilizar o seu e-mail apenas para comunicação. Talvez a sua caixa de e-mails seja uma bagunça, repleta de fotos, e-mails antigos inúteis, datas importantes, artigos que você achou interessante, tarefas que precisam ser cumpridas -- tudo isso porque o e-mail tem servido para cumprir o papel das três plataformas acima citadas.

Em Do More Better: A Practical Guide to Productivity [Faça Mais e Melhor: Um Guia Prático para a Produtividade], Tim Challies faz um ótimo trabalho a fim de nos ajudar a fazer mais, com qualidade, com o intuito de agradar a Deus. Se Deus permitir, em 2018, farei artigo apenas sobre isso para auxiliar os caros leitores.

Excerto:

"A produtividade – a verdadeira produtividade – nunca será melhor ou mais forte do que o fundamento sobre o qual você a constrói. [...] A produtividade não é o que trará propósito para a sua vida, mas o que permitirá que você viva com excelência o seu propósito de existência." (10)

4. Arlete Salvador e Dad Squarisi. Escrever Melhor (Contexto, 2012)

Este livro é muito especial para mim. Além de ser um dos primeiros livros que comprei após o meu casamento, ele é o material de cabeceira que eu precisava ter como profissional. A língua portuguesa é fantástica, mas parece que é difícil domá-la. Não sei se é só comigo, mas tenho a impressão de que aprendi bem pouco de língua portuguesa propriamente dita na escola. Afinal, o que é adjunto adnominal mesmo? Bem, se você também precisa correr contra o tempo perdido, seja como professor, estudante universitário, blogueiro ou pastor, adquira este livro. Na amazon, está bem em conta. Nesta obra concisa e objetiva, as autoras nos ensinam a editar nossos próprios textos, e nos fazem entender o mais importante de gramática a fim de produzirmos bons textos. Sem dúvida, este pequeno livro vale demais. São 221 páginas que você deve, primeiro, ler completamente, em sequência; e depois, utilizá-lo para consulta pelos próximos anos.



5. Jerry Bridges. Pecados Intocáveis (Vida Nova, 2012)

Este livro é bem legal. Ele trata dos chamados "pecados respeitáveis", aqueles que não causam vergonha à boa parte das pessoas. Pecados como ira, ansiedade, ingratidão, inveja são abordados pelo autor. Longe de ser um guia legalista, Jerry Bridges mostra que só é possível vencermos o pecado se estivermos perto de Cristo, por meio do Espírito Santo. O ensino de que devemos orar para que Deus nos dê graça para vencermos pecados específicos é um dos que mais gosto deste livro. Às vezes oramos de maneira geral, "Senhor, dá-me graça para vencer o pecado"; mas este tipo de oração não nos permite ver o agir de Deus em nosso dia a dia. Se, porém, orarmos para que um pecado específico seja mortificado, podemos fazer uma análise de nosso progresso neste sentido. Este livro contém 173 páginas de conteúdo que certamente beneficiarão a sua vida.

Excertos:

"[...] Portanto, quando mergulho em qualquer pecado que considero aceitável, não estou desprezando somente a lei de Deus; estou desprezando também o próprio Deus. Pense nisso da próxima vez que abrir a boca para criticar ou massacrar alguém. Entendeu agora por que eu disse que nossa descrição de pecado iria piorar?" (28)

"Imagine que alguém amado lhe diga: 'Não confio em você. Não acredito que você me ame e cuidará de mim.' Que afronta! Mas é isso que dizemos a Deus com nossa ansiedade." (62)

Amadurecimento Cristão

6. Russell Shedd. Viva Para a Glória de Deus (Shedd Publicações, 2014)

Esta categoria "amadurecimento cristão" compreende aqueles livros de tratamento de choque. Os livros que fazem parte dela são escritos por autores que podem nos tirar da zona de conforto. Esta é a parte da dieta que nos leva a comer alguns ingredientes não tão fáceis de serem engolidos, mas que possuem vitaminas necessárias para o nosso crescimento.

Russell Shedd é um dos autores mais pastorais que já li. Ao lermos os livros dele, parece que ele está sentado ao nosso lado, ensinando-nos, devido à grande humildade e franqueza em seus escritos. Viva para a glória de Deus mantém o padrão dos livros que já li deste amado autor, pois é um livro curto e objetivo. Shedd tem uma tese e ele vai fundamentá-la através de várias passagens bíblicas. Vale demais a leitura de suas 152 páginas.

Excerto:

"A teologia do desperdício não tem uma longa história como as discussões teológicas intermináveis sobre os atributos de Deus ou as duas naturezas de Cristo. É uma teologia ainda não bem elaborada e sem parâmetros certos. Muitos textos não discutidos neste livro têm reflexos nesta teologia. Não esperamos apresentar a última palavra, mas abrir a mente dos leitores para pensarem mais profundamente sobre a relação entre o desperdício e o juízo. Se a glória de Deus é, de fato, a razão da existência de tudo no universo, parece-me que a conclusão é: aquilo que não reverte em glória para Deus, não tem valor." (141)


7. A. W. Tozer. A Vida Crucificada (Vida, 2013)

Com estilo semelhante ao de Shedd, Tozer é leitura muito proveitosa. É interessante que não consegui ler este livro no ano passado, talvez porque já tivesse lido outros dois do Tozer. Mas, graças a Deus, neste ano recomecei a leitura e a completei. Tozer fala da vida crucificada, a vida de união mais profunda com o Senhor Jesus Cristo. Vale demais a leitura. São 240 páginas de pura sabedoria cristã.

Excerto:

"Outro método que Deus usa para desenvolver a autodesconfiança são as provações e as tentações extremas. Ouvindo alguns pregadores e lendo alguns livros, é fácil concluir que, depois que a pessoa nasceu de novo, acabou: nada de provações ou tentações. Os que creem no enchimento do Espírito Santo também comunicaram de algum modo a ideia de que esse é o fim de toda experiência cristã. Mas a Bíblia nos diz que, depois de ser cheio do Espírito, Jesus foi levado ao deserto para algumas tentações severas.

"Quando um cristão enfrenta uma provação ou uma tentação difícil ou extrema, ele é tentado a jogar a toalha, dizendo: 'Deus, não adianta. Não sou bom. Obviamente, o Senhor não me quer, então estou perdido'. Enquanto isso, ele se esquece de que Deus nos deseja ensinar, por meio dessas provações e tentações, que a autoconfiança é perigosa e não podemos contar com ela. Às vezes, quando algo nos faz explodir de raiva, pensamos que tudo acabou, em vez de entender que isso é uma prova de que não somos cristãos maduros. Precisamos entender a explosão como prova de que estamos mais perto do nosso lar eterno hoje do que estávamos ontem. Precisamos compreender que o nosso Pai celeste está permitindo que essas coisas nos aconteçam para nos fazer parar de confiar em nós mesmos e nos levar a depender exclusivamente do Senhor Jesus Cristo." (119-120)


8. Douglas Wilson. Fidelidade (Clire, 2017)

Este livro é leitura obrigatória para todo noivo ou marido cristão. Douglas Wilson trata do assunto da fidelidade de maneira clara e, muitas vezes, forte. Mas é necessário, afinal é um livro escrito para homens, e não para garotos sem o mínimo de maturidade. Adquira o seu no site da loja Clire – o livro e o frete saem bastante em conta. Ele possui 196 páginas.

Excerto:

"Devemos repensar o relacionamento entre ser masculino e ser seduzido. John Milton usa uma frase marcante em Paraíso Perdido, referindo-se àqueles que foram seduzidos pelas 'filhas dos homens'. Quando Adão contempla a sedução na qual tais homens, descendentes seus, incorrem, ele tenta culpar as mulheres envolvidas: 'A desgraça do homem continua a mesma, na mulher começa'. O arcanjo replica em contrário: 'Começa no homem quando se efemina'. (22)

Biografia



9. Steven Lawson. A Pregação Apaixonada de Martyn Lloyd-Jones (Fiel, 2016)

Ler boas biografias também é parte importante de nossa dieta de leitura. Se não tivermos nenhum contato com a história da igreja, podemos perder referência ou até mesmo perder algum testemunho da graça de Deus na vida de outros, que também pode ser útil para a nossa. Nesta obra, Steven Lawson faz ótimo trabalho. Esta é a biografia que da série Perfil de Homens Piedosos que mais gostei até então. E é bem provável que você fique louco para ler o livro Pregação e Pregadores, de Martyn Lloyd-Jones, devido ao grande número de vezes que Lawson cita este livro no texto dele. Este livro contém 168 páginas proveitosas.

10. Tiago Cavaco. Cuidado com o Alemão (Vida Nova, 2017)

Se você ainda não leu nada de Tiago Cavaco, planeje-se para fazê-lo em 2018. Você não se arrependerá. Cavaco não simplesmente escreve sobre algo, ele prega! E de modo vivo e muito interessante. Neste livro, o autor faz breve biografia de Lutero e depois trata de três assuntos, em que consistem as dentadas de Lutero, que devemos aprender com o reformador: 1) maldade, 2) meninada e 3) música. Além disso, ao fim de cada capítulo, o autor faz uma série de perguntas realmente confrontadoras e que nos levam à boa reflexão. Esta obra de 191 páginas é leitura obrigatória.

Excerto:

"Uma das tarefas mais sensíveis e urgentes para aqueles que estão casados é precisamente educar os filhos como 'a melhor lã das ovelhas', sem que sintam que todo o rebanho se limita a eles. Nesse sentido, aquilo que se ensina tem necessariamente de ser considerado superior àqueles que são ensinados. Se a fé cristã não for o mais importante para os pais que educam nos filhos, então os filhos rapidamente entenderão que são superiores à crença dos pais. Não se ensina nada de realmente importante às gerações mais novas se perceberem que são mais importantes do que aquilo que lhes é ensinado." (121)

Ficção

11. L. L. Wurlitzer. As Crônicas de Olam (Vol. 3): Morte e Ressurreição (Tolk Publicações: Fiel, 2017)

Chegamos à sobremesa. A cada dois livros de não ficção, leio um de ficção para descansar a mente. Vale a pena.

Pois bem, tentarei me controlar para não dar spoiler significativo sobre este livro. Morte e Ressurreição é a terceira parte da trilogia As Crônicas de Olam, escrita por L. L. Wurlitzer. Sem dúvida, este foi o livro mais esperado do ano. Posso dizer que possuo grande afeto para com esta série, porque, há dois anos, o primeiro volume dela revolucionou a minha vida como leitor. Eu estava há um bom tempo sem saber o que era boa ficção, e Luz e Sombras trouxe o ótimo gosto disto novamente. A série como um todo é cheia de ação e surpresas marcantes. Há descrições tão boas que o leitor consegue visualizar claramente as cenas, como se estivesse assistindo a um filme. Por ter gostado demais dos volumes 1 e 2, a expectativa para o fechamento da série era grandíssima. Mas o que dizer do volume 3? É difícil descrever o que sinto porque há um misto de emoções quando penso nesta obra. Eu gostei, sim; mas, ao mesmo tempo, fiquei frustrado. Gostei porque há inúmeras cenas legais e frases que levam à reflexão sadia. Há momentos muito emocionantes. Porém, há algumas coisas que me incomodaram. Primeiro, há mais erros de digitação do que nos outros volumes. Penso que uma obra deste nível deve ser impecável. Há até erro de troca de nome de personagem. Mas isso é algo que penso em tratar melhor com a própria editora Fiel. Segundo, o leitor fica com dúvidas ao fim da leitura. Pelo menos, eu fiquei. É claro que o autor tem o direito de fechar a história como ele bem quiser (aliás, eu o respeito bastante), mas penso que a leitura é um compromisso de duas vias. O leitor é atraído pelo enredo principal da história e almeja que, pelo menos, todas as perguntas relacionadas à ideia central da obra sejam respondidas. Quando isso não ocorre, ou quando ocorre com ambiguidades, é frustrante. Recomendo a leitura de toda a série. Ainda a amo. Porém, posso dizer que o volume 3 poderia ser muito melhor (embora ele não seja ruim). Na avaliação do skoob, de 0 a 5, minha nota é 4. Escrevo isso de coração partido.

12. N. D. Wilson. Outlaws of Time (Vol. 1): The Legend of Sam Miracle (Katherine Tegen Books, 2016)

Este livro é demais! Gostei demais da história dele. Escrito por Nate Wilson, filho de Douglas Wilson, The Legend of Sam Miracle [A Lenda de Sam Miracle] é a primeira parte da trilogia Outlaws of Time [Foras da Lei do Tempo]. É um livro infanto-juvenil. Ele possui cosmovisão cristã, embora não seja uma analogia como As Crônicas de Nárnia. Se este livro fosse traduzido para português, ele seria uma febre do estilo de Harry Potter. Assisti a uma entrevista do autor e ele disse que escreve para "catequizar" os leitores infanto-juvenis. Valores de fé, coragem e motivos pelo qual vale a pena morrer, são alguns dos ensinamentos bastante claros neste livro. Sam Miracle é um adolescente de 12 anos de idade que possui os braços praticamente imprestáveis. Ele mal consegue levantá-los. Por exemplo, quando Sam sofre alguma queda, é necessário que um de seus companheiros de orfanato o ajude a levantar. No entanto, durante momentos em que imagens vêm à mente dele, as quais Sam pensa que são sonhos, ele é um atirador muito veloz e preciso. Um verdadeiro atirador de bang bang. Em suma, este livro é ótima leitura. História e personagens muito bem construídos e desenvolvidos. Você pode ver o anúncio deste livro neste vídeo aqui.

Excertos:

"'Você precisa ser uma nova lenda,' disse o garoto, batendo no peito dele. 'Com o seu coração primeiro e então com suas mãos.’ Ele olhou para cima do vale. ‘E ambos precisam ser agora.'" – Baptisto

"Para com os monstros, seja monstruoso. Seja perigoso, e que em todo o mundo não haja nenhum lugar chamado Perigoso por aqueles que você ama." – Manuelito

"'Você daria suas pernas se isto significasse salvar a vida dele?'
"Glory estava em silêncio. É difícil dizer, mas ela possuía quase certeza de que o padre estava encarando-a.
"'Coragem antes de uma batalha é coisa simples,' disse o padre calmamente. 'Sacrifícios são prometidos facilmente.'"

"'Você não pode deixá-lo?' Manuelito olhou para ela, sorrindo levemente. 'Você é a rainha das permissões?'"

13. J. R. R. Tolkien. O Silmarillion (WMF Martins Fontes, 2011)
Nesta obra, iniciou-se a minha longa jornada pela terra-média neste ano. Este livro é muito bom. Tudo muito bem desenvolvido, tratando desde a criação de todo o universo em que a terra-média se insere, até o fim da terceira era -- período que compreende os acontecimentos de O Senhor dos Anéis. A primeira parte é bem fácil de ler. Tudo é muito dinâmico e envolvente. Na segunda parte, onde inicia-se a história das silmarils propriamente dita, o começo não é tão fácil de ler. Mas após 50 páginas você estará acostumado com o estilo de Tolkien e a leitura fluirá facilmente. Se você nunca leu nada de Tolkien, penso que O Silmarillion é ótimo começo, porque este livro lhe dará condições de apreciar as inúmeras referências da primeira e segunda eras, feitas em O Senhor dos Anéis. Abaixo, cito alguns trechos para você sentir um pouco da capacidade ilustrativa de Tolkien. Fantástico.

Excertos:

"– Meu destino, ó Rei, me trouxe aqui através de perigos tais como poucos da raça élfica enfrentariam. E aqui descobri o que de fato procurava, mas, ao encontrar, quis possuir para sempre. Pois está acima de todo ouro e toda prata, e supera todas as pedras preciosas. Nem rocha, nem aço, nem as fogueiras de Morgoth, nem todos os poderes dos reinos élficos conseguirão me afastar do tesouro que desejo. Pois Lúthien, sua filha, é a mais bela de todas as Criações do Mundo."



14. J. R. R. Tolkien. O Hobbit (Martins Fontes, 2002)

O Hobbit é muito legal. Ele é leitura leve, muito fácil de acompanhar. Tolkien até dialoga às vezes com o leitor, tendo em vista que muitas crianças o leriam. O que gosto das obras de Tolkien é cada elemento de O Hobbit é fundamental e muito bem utilizado em O Senhor dos Anéis. É uma obra de arte. Vale ressaltar que é sempre emocionante relembrar de Thorin, escudo de carvalho.


15. J. R. R. Tolkien. A Sociedade do Anel (Martins Fontes, 2002)

Sei que não preciso falar muito de O Senhor dos Anéis. Porém, sei que muitos dos caros leitores só assistiram aos filmes. Então, recomendo demais a leitura dos livros, pois são muito melhores que os filmes. Além das referências a eventos de O Hobbit e O Silmarillion, você pode conhecer muito bem cada personagem. Por exemplo, no filme, Merry e Pippin parecem muito bobos e parecem surgir do nada na jornada de Frodo e Sam. A citação abaixo serve para mostrar a grandiosidade destes personagens maravilhosos.

Excerto:

"Sam lançou-lhe um olhar triste. – Tudo depende do que você deseja – interrompeu Merry. – Pode confiar em nós para ficarmos juntos com você nos bons e maus momentos, até o mais amargo fim. E pode confiar também que guardaremos qualquer um de seus segredos – melhor ainda do que você os guarda para si. Mas não pode confiar que deixaremos que enfrente problemas sozinho, e que vá embora sem dizer uma palavra. Somos seus amigos, Frodo. De qualquer modo, é isto: sabemos a maior parte do que Gandalf lhe disse. Sabemos muito sobre o Anel. Estamos com um medo terrível, mas iremos ao seu lado; seguiremos você como cães."


16. J. R. R. Tolkien. As Duas Torres (Martins Fontes, 2002)

Em A Sociedade do Anel, você já sente o drama da escrita de Tolkien. Embora O Hobbit seja bem legal, a primeira parte de O Senhor dos Anéis possui imagens muito mais densas e emocionantes. Então, você começa a ler As Duas Torres e verifica que Tolkien se supera. Muito bom. O capítulo "O cavaleiro branco" é o melhor para mim.

Excerto:

"– É, é isso mesmo – disse Sam. – E de modo algum estaríamos aqui se estivéssemos mais bem informados antes de partir. Mas suponho que seja sempre assim. Os feitos corajosos das velhas canções e histórias, Sr. Frodo: aventuras, como eu as costumava chamar. Costumava pensar que eram coisas à procura das quais as pessoas maravilhosas das histórias saíam, porque as queriam, porque eram excitantes e a vida era um pouco enfadonha, um tipo de esporte, como se poderia dizer. Mas não foi assim com as histórias que realmente importaram, ou aquelas que ficam na memória. As pessoas parecem ter sido simplesmente embarcadas nelas, geralmente – seus caminhos apontavam naquela direção, como se diz. Mas acho que eles tiveram um monte de oportunidades, como nós, de dar as costas, apenas não o fizeram. E, se tivessem feito, não saberíamos, porque eles seriam esquecidos. Ouvimos sobre aqueles que simplesmente continuaram – nem todos para chegar a um final feliz, veja bem; pelo menos não para chegar àquilo que as pessoas dentro de uma história, e não fora dela, chamam de final feliz. O senhor sabe, voltar para casa, descobrir que as coisas estão muito bem, embora não sejam exatamente iguais ao que eram – como aconteceu com o velho Sr. Bilbo. Mas essas não são sempre as melhores histórias de se escutar, embora possam ser as melhores histórias para se embarcar nelas! Em que tipo de história teremos caído?"


17. J. R. R. Tolkien. O Retorno do Rei (Martins Fontes, 2002)

Terminando com chave de ouro, O Retorno do Rei. Que coisa bela! Pensei que era difícil Tolkien fazer algo melhor do que a As Duas Torres. Estava enganado. O Retorno do Rei é muito bom. Muito emocionante. Todos os personagens têm o seu desfecho. Há muita coisa que o filme não mostra. Muita mesmo. Por favor, se você quer ótima leitura de ficção para 2018, e ainda não leu Tolkien, faça esforço para comprar estas obras. Você não se arrependerá.

Excerto:

"Outros males existem que poderão vir; pois o próprio Sauron é apenas um servidor ou emissário. Todavia não é nossa função controlar todas as marés do mundo, mas sim fazer o que pudermos para socorrer os tempos em que estamos inseridos, erradicando o mal dos campos que conhecemos, para que aqueles que viverem depois tenham terra limpa para cultivar. Que tempo encontrarão não é nossa função determinar." – Gandalf

Que Deus abençoe você em 2018. Boa leitura para a glória de Deus.

sábado, dezembro 23, 2017

Natal: Celebrando a Encarnação do Verbo


Adoração dos Pastores, Rembrandt.

"E o Verbo se fez carne e habitou entre nós. E vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai. Cheio de graça e de Verdade" (João 1.14).

"Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de EMANUEL. (EMANUEL, traduzido é: Deus Conosco) (Mateus 1.23).



É notável que lemos tanto no primeiro quanto no quarto evangelho declarações teológicas tão semelhantes,  o que não nos deveria surpreender, pois ainda que os evangelistas e apóstolos Mateus e João escreverem com perspectivas teológicas distintas, ambos testemunham do mesmo fato: a entrada do Deus eterno no tempo e no espaço, e , por que não poderíamos dizer, na própria humanidade? Na pessoa de Jesus, Deus esteve presente entre o homens. Andando, comendo, respirando.  No dizer de D. A. Carson, Mateus 1.23 evoca claramente João 1.14/18.1¹.  De maneira interessante, tanto Mateus quanto João, ao tratarem da encarnação, não utilizam propriamente nomes no sentido de “Jesus” ser o nome do messias, mas nomes-títulos ou nomes descritivos (Mateus usa “Emanuel”, João utiliza “Verbo”. No grego "Logos"). Tanto no evangelho segundo Mateus quanto em João, ambos os termos já não são mais utilizados, porém claramente definem Jesus e seu ministério também. Em João, ele é o verbo de Deus, o Logos que revela Deus o Pai e que assume a nossa natureza, enquanto que em Mateus ele é Emanuel, Deus que está entre o seu povo, pois foi concebido de maneira sobrenatural.

Em Cristo Jesus, vemos "Deus manifesto na carne", como muito bem expressou o apóstolo Paulo (1 Timóteo 3.16). As implicações disso não podem de maneira alguma passarem desapercebidas por nós.

Em Cristo, Deus nos falou de maneira plena e direta. Ainda que ele tivesse falado pessoalmente e de maneira infalível através dos profetas, vemos aqui que Deus nos fala por Meio do Filho (Hb 1.1), aquele que está em seu seio, que possui a mesma essência (João 1.18). Não há espaço para uma simples mitologia aqui, uma história com um fundo moral, mas sim uma declaração factual, de algo que ocorreu na história (Gl 4.4).

No natal,  celebramos não simplesmente o nascimento de um grande líder, ou um mestre judeu carismático, mas sim a vinda do Logos (Verbo, ou Palavra) de Deus a este mundo, assumindo a nossa natureza, porém sem pecado. Podemos celebrar a vinda daquele que veio nos salvar de nossos pecados, como seu próprio nome expressa: "O Senhor é a salvação". No dizer do teólogo anglicano Gerald Bray:

"A palavra não é um simples objeto, e sim o Filho de Deus, a Segunda pessoa da Trindade. Ao tornar-se carne, essa pessoa assumiu a natureza humana, não pelo desvestir da divindade, algo impossível, mas pela adição da segunda natureza - 'assumiu a humanidade em Deus', segundo os termo do credo atanasiano"².

Na pessoa de Jesus, o infinito se tornou também finito; o eterno, temporal; e o divino, igualmente assumiu  a natureza humana. Não há dúvida que nosso Senhor Jesus Cristo, verdadeiramente é  "Maravilhoso, Conselheiro, Deus forte, Pai da Eternidade, Princípe da Paz" (Is 9.6). Louvemos eternamente a Ele! confessemo-nos como Senhor e Salvador.

Ao contemplarmoes essas realidade e crermos em Deus, que nos enviou Jesus, não devemos jamais vacilar em nossa esperança que temos em Deus, pois sabemos que um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e esse menino cresceu, viveu sem pecado, morreu pelos nossos pecados, e ressuscitou para a nossa justificação, recebido na glória, para no Dia estabelecido retornar e reinar para sempre. Que as palavras de Inácio, pai da Igreja no século II, reluzam em nossos corações:
"Existe apenas um médico, carnal e espiritual, gerado e não-gerado, Deus feito carne,  Filho de Maria e Filho de Deus, vida verdadeira na morte, vida passível e agora impassível, Jesus Cristo nosso Senhor.
Um astro brilhou no céu mais do que todos os astros,  sua luz era indisível e sua novidade causou admiração. todos os astros, inclusive o sol e a lua, formaram um coro em torno do astro, e ele projetou sua luz mais do que todos. Houve admiração. Donde vinha a novidade tão estranha a eles? então, toda a magia foi destruída, todo laço de maldade foi abolido, toda ignorância foi dissipada e todo o reino foi arruinado, Quando Deus apareceu em forma humana, para uma novidade de vida eterna"³

O blog Servorum Dei deseja a todos os leitores um feliz natal, nas bençãos de Deus Pai, na proclamação de Cristo e no encorajamento do Divino e Santo Espírito.

Soli Deo Gloria


Notas:


1. CARSON, D. A. Comentário de Mateus. Tr. Lena Aranha e regina Aranha. São Paulo: Shedd Publicações, 2011, p. 107.

2.BRAY, Gerald. Quem é Jesus? principais acontecimento de sua vida da preexistência à segunda vinda. Tr. Rogério Portella. São Paulo: Shedd publicações, 2008. p. 35.

3.ANTIOQUIA, Inácio de. In: Padres Apostólicos. Tr. Ivo Storniolo, euclides M. Balancin.  São Paulo: Paulus, 1995. p. 84; 88

terça-feira, outubro 31, 2017

Reforma protestante: 500 anos pelo Evangelho de Cristo








No dia 31 de Outubro, há exatos quinhentos anos, um monge alemão fixou na porta do castelo de Wittenberg 95 teses contra a venda de indulgências, que supostamente garantiriam o perdão dos pecados daqueles que dela se a apropriavam a partir de determinada quantia de dinheiro. Como pano de fundo das 95 teses, estava em jogo a natureza do verdadeiro Evangelho de Cristo. O Evangelho que Lutero descobriu ao estudar a epístola de Paulo aos Romanos mudou para sempre seu jeito de entender a natureza da salvação em Cristo: Cristo é salvador, e a salvação se baseia unicamente na fé nos méritos de Cristo através de sua vida e sua morte na cruz do Calvário  assegurados por sua ressurreição em glória; sendo assim, somos justificados por fé e não por obras. Ao redescobrir a doutrina da justificação somente pela fé em Cristo e não por meio de obras meritórias, Lutero confessou que "as portas do paraíso se abriram" para ele. 

Falar de Reforma Protestante não é só falar de um acontecimento religioso, histórico e cultural. Falar sobre a Reforma é tratar do redescobrimento do Evangelho de Cristo (e como consequência, do próprio Senhor Jesus) em larga escala: o conhecimento de Deus alcançou o homem comum do campo quanto o nobre de um palácio. Em todos os embates que Lutero teve contra o catolicismo, seu centro motor era este: A glória do Evangelho de Cristo (ou como Lutero gostava de dizer, a "Teologia da Cruz") vai contra toda e qualquer doutrina que eleve as obras humanas a um patamar de ato meritório para salvação diante de Deus (ou seja, uma "Teologia da Glória"). 


Se passaram 500 anos. O Evangelho pregado pelos apóstolos e redescoberto pessoalmente por Lutero não mudou, porém isso não significa que a batalha pelo evangelho de Cristo acabou. Cada vez mais o obscurantismo acerca da mensagem das Escrituras aumenta dentro de igrejas consideradas que afirmam ser evangélicas e herdeiras da Reforma. O aumento do misticismo, da superstição, o surgimento de uma forma "evangélica" de papismo, e o pior, uma nova forma de indulgências através da teologia da prosperidade, tudo isso leva à necessidade de proclamar "Sola Scriptura" de acordo com o entendimento da reforma. Uma igreja verdadeiramente reformada sempre se reforma, ou seja, sempre volta novamente ao evangelho de Cristo.


Dentre as 95 teses, a mais famosa de todas, seja a de número 62: "O verdadeiro tesouro da Igreja é o santíssimo evangelho da glória e da graça de Deus". A igreja de Cristo não pode abrir mão desse tesouro. No fim tudo se resume a isso: batalhar e guardar o evangelho de Cristo; pois tudo, no fim, se resume e sempre será acerca de Nosso Senhor Jesus Cristo, para glória de Deus-Pai, no poder do Espírito.

Viva a Reforma!

Sola Scriptura, 
Sola Gratia,
Solos Christus,
Sola Fide,
& Soli Deo Gloria.


sexta-feira, outubro 20, 2017

Top 10 Reforma Protestante: Livros sobre (e da) Reforma


Em uma postagem recente, indiquei dez livros iniciais para todo o estudioso que procura se aprofundar na Reforma Protestante a partir da célebre figura do reformador alemão Martinho Lutero, indicando assim, obras de sua autoria ou de autores que escrevessem obras biográficas e teológicas acerca do reformador. Porém, a Reforma Protestante não se resume só a Lutero. Vários outros homens, como Ulrico Zuínglio, Martin Bucer, João Calvino, Thomas Cranmer, William Tyndale, Balthasar Hubmaier e Menno Simons, figuram entre os homens que igualmente levaram a Reforma protestante adiante, mesmo em meio à intensa perseguição, críticas e desafios. Segue-se aqui, portanto, uma pequena lista de obras histórico-teológicas que tratam acerca da obra da Reforma no século XVI e dos homens que a encabeçaram:





1. A Era dos Reformadores - Justo González (Vida Nova): Obra introdutória com excelente conteúdo para entender fundamentalmente a obra e teologia de Lutero, Calvino, entre outros reformadores, assim como o contexto histórico da Reforma. Escrita pelo célebre historiador eclesiástico cubano Justo González, essa  obra foi publicada inicialmente em um volume separado da coleção História Ilustrada do Cristianismo, sendo atualmente publicada juntamente com outros volumes, que formam o volume 2 da edição completa publicada por edições Vida Nova.





2. História da Reforma - Carter Lindberg (Thomas Nelson): Neste livro, o historiador luterano Carter Lindberg analisa a Reforma não necessariamente como um movimento unificado, mas sim como vários movimentos reformistas distintos que se relacionaram devido a um núcleo central comum (o autor prefere o termo "reformas" ao tradicional "Reforma"). Nesta edição em capa dura, publicada pela editora Thomas Nelson, há capítulos adicionais, seguindo a segunda edição americana (a primeira edição dessa livro foi publicada pela editora Sinodal com o título As Reformas na Europa). Dotado de narrativa simples, porém envolvente e cheio de dados acadêmicos, a obra é um excelente recurso para seminaristas, professores de seminários e de escola dominical, além de historiadores.




3. A Divisão da Cristandade - Christopher Dawson (É Realizações): Essa obra, escrita pelo historiador católico conservador Christopher Dawson, é uma das melhores obras acerca da Reforma a partir do pensamento católico. Mesmo Dawson não vendo necessariamente a Reforma de maneira totalmente favorável, ele entende a necessidade de uma Reforma na época, atentando igualmente para as características positivas que estavam presentes em Lutero e seus contemporâneos. Obra importante para entender a Reforma dentro do pensamento católico tradicional.




4. Teologia dos Reformadores - Timothy George (Vida Nova): Nesta obra biográfica/teológica dos reformadores, o teólogo batista Timothy George traça o perfil dos principais homens que iniciaram o movimento reformista, como John Wycliffe, Martinho Lutero, Ulrico Zuínglio, João Calvino e Menno Simons. Dentro do perfil biográfico, George analisa os principais elementos distintivos dos reformadores e sua respectiva contribuição para a Reforma Protestante. Escrito em uma linguagem acessível e agradável, essa obra é extremamente recomendada para entender-se o pensamento dos reformadores. Será publicada dentro de alguns meses, por Edições Vida Nova, uma segunda edição que conta com um capítulo adicional acerca de William Tyndale.


5. A Instituição da Religião Cristã - João Calvino (Unesp) - Considerada a magnum opus do reformador francês, As Institutas de Calvino se tornou obra padrão para compreender-se de maneira essencial o pensamento cristão protestante e a cosmovisão calvinista-reformada, em particular. Nela, temos os principais tópicos da teologia cristã: Teologia própria, Cristologia, soteriologia, doutrina da igreja, etc. Um apego às Escrituras marca essencialmente toda a obra, ainda que possa haver certa discordância em alguns pontos teológicos dentro do protestantismo. A obra é fundamental tanto para o aperfeiçoamento teológico/espiritual quanto para aprofundamento no pensamento da teologia protestante. No Brasil, há basicamente três edições das Institutas, duas publicadas pela editora Cultura Cristã: uma é a edição clássica traduzida do latim (a partir da última edição latina de 1559) pelo estudioso presbiteriano Waldyr Carvalho Luz, e outra é a tradução feita da versão francesa de 1541 escrita pelo próprio Calvino, traduzida para o português pelo célebre tradutor Odayr Olivetti. Ambas possuem excelente arcabouço técnico e erudito, o que não deixa de trazer para o leitor iniciante algumas dificuldades. Uma excelente alternativa a essas edições é a produzida pela editora Unesp, que contou com uma equipe de tradutores para cada capítulo da obra. Alguns consideram tal edição a mais fácil para leitura do iniciante dessa magnífica obra. Extremamente recomendada.




6. A Vida de João Calvino- Alister McGrath (Cultura Cristã) - Cheia de detalhes preciosos acerca do reformador de Genebra, a biografia de João Calvino escrita pelo anglicano Alister MacGrath se tornou uma obra padrão ao analisar a vida do reformador, desde seu início universitário até o momento de sua morte. Características pessoais de Calvino e nuances de seu pensamento teológico são muito bem narradas por McGrath. Uma obra indispensável para conhecer mais acerca do reformador.






7. Livre-Arbítrio e Salvação - Erasmo de Rotterdan (Reflexão) - No início do século XVI, a figura de Erasmo de Roterdã ganhou fama por toda a Europa como um dos maiores eruditos humanistas de seu tempo. Erasmo muito influenciou reformadores como Lutero, Melanchton, Zuínglio e até mesmo Calvino. Um dos precursores da Reforma, Erasmo foi um dos apoiadores do movimento da Reforma até a publicação de seu célebre livro  De Libre arbitreo (Do lívre Arbítrio), no qual defende uma visão quase semi-pelagiana da salvação em favor do livre arbítrio do homem na salvação. Lutero romperia com Erasmo a partir de sua demolidora contra-resposta Do servo arbítrio (Da Escravidão do Arbítrio). Apesar disso, a visão de Erasmo entraria novamente em cena através de Melanchton e, mais propriamente, do teólogo holandês Jacó Armínio. A edição da editora Reflexão, apesar da boa tradução, conta com muitos defeitos editoriais, como por exemplo erros nos subtítulos, configuração de páginas e falta de certa explicação acerca da edição, oriunda de uma versão em inglês editada por Gordon Rupp e Philip S. Watson, que contém ambos os livros de Lutero e Erasmo, com prefácios de Rupp e Watson para as obras dos respectivos autores. A edição da editora Reflexão contém introduções explicativas para ambas as obras, porém justamente falta a de Lutero! Apesar dos problemas editorais, a obra é um livro importantíssimo para se entender as raízes históricas do debate entre monergismo e sinergismo no que diz respeito à salvação.





8. Calvino de A a Z - Hermisten Costa (Vida) - Tanto na leitura das institutas quanto de seus comentários bíblicos, termos e expressões utilizados por Calvino podem dificultar a leitura. Esse livro, escrito pelo teólogo Hermisten Costa, serve como um importante auxílio para o léxico de Calvino e seus temas teológicos.










9. A Poderosa Fraqueza de John Knox - Douglas Bond (Fiel) - No contexto da Reforma, a figura de John Knox tem um destaque especial: é merecidamente creditado a Knox o título de o grande reformador da Escócia. Neste livro, escrito por Douglas Bond, conhecemos Knox não somente como reformador ou teólogo, mas como um homem comum zelosamente apaixonado por Deus e sua Palavra, um genuíno pregador da Palavra de Deus. Faz parte da coleção "Longa Linha de homens piedosos".








10. A Difícil Missão de William Tyndale - Steve Lawson (Fiel) - Da coleção Longa Linha de homens piedosos, essa pequena biografia de Tyndale mostra seu papel essencial dentro da Reforma. Através de Tyndale, a Bíblia foi traduzida a partir dos originais hebraico e grego. A tradução de Tyndale, assim como a de Lutero, serviu como expressão máxima da literatura inglesa, influenciando profundamente outras traduções, até mesmo a King James Version, tendo um impacto duradouro que se sente até hoje no vocábulo saxão. Porém, além desse feito heroico, o livro escrito por Lawson aborda vários aspectos da vida de Tyndale até sua morte precoce. Leitura edificante e informativa.




Há inúmeros outros livros acerca da Reforma que mereceriam uma menção especial. Porém, levou-se em conta o teor do conteúdo ao leitor iniciante; ainda que um leitor com mais conhecimento da Reforma também se beneficiará através destes livros, que tratam acerca de um movimento usado por Deus para trazer de volta a supremacia do Senhor Jesus nos corações de muitos perdidos, não somente naquela época, mas até os dias de hoje. Boa leitura!

Soli Deo Gloria


segunda-feira, outubro 09, 2017

Um Casamento Feliz Prevenirá um Caso de Adultério?



Li o seguinte texto recentemente e fui bastante edificado. Espero que você também encontre grande benefício para sua vida e família. O original, escrito por Russell Moore, pode ser acessado aqui. Boa leitura. Que Deus nos abençoe e ajude.
                                                                                * * *
Sempre que alguém vê um casamento desmoronar-se por causa de adultério, uma das primeiras coisas que se ouve é, “E eu pensei que eles fossem tão felizes!” Geralmente, tendemos a assumir que casais que são dilacerados por caso extraconjugal deveriam estar secretamente em turbulência por anos. Sobretudo, assumimos que aqueles de nós que são felizmente casados estão, portanto, protegidos desta mesma crise. Em um novo artigo provocativo, uma terapeuta de casamento argumenta contra estas suposições. Ela afirma que um relacionamento feliz não é garantia contra quebra de votos. Penso que ela pode nos levar a algo importante.

Na edição de outubro de The Atlantic, Esther Perel relembra-se do escopo de seus encontros de aconselhamento com casamentos em crise por infidelidade e observa o quão raramente ela vê pessoas adúlteras que traem a fim de fugirem de um mau relacionamento. Geralmente, ela escreve, é exatamente o oposto. Ela depara-se com pessoas que querem manter o casamento delas, do jeito que ele é, e que de fato não querem abandoná-lo por causa de outro relacionamento.

Em certos aspectos, o argumento de Perel é mal direcionado. Principalmente, ela vê o adultério quase exclusivamente em termos terapêuticos, em vez de morais. Deixando isto de lado, o ponto principal de seu argumento tende a se alinhar exatamente com o que tenho visto em milhares de casos de intervenção pastoral em casamentos em crise devido a adultério. Os casos, frequentemente, não são sobre falta de felicidade ou falta de sexo. Há algo mais em andamento.

Perel nota que muitos dos “outros parceiros” escolhidos por companheiros adúlteros não são, de modo nenhum, o tipo de pessoa que a esposa traidora um dia iria querer em companhia de vida, observando o exemplo de uma mulher conservadora que reconhece o clichê de caso amoroso dela com um motociclista tatuado. O que está ocorrendo não é uma busca por um melhor amante ou uma melhor esposa, mas pelo “eu inexplorado”. Um caso não é sobre orgasmo, ela afirma, mas sobre nostalgia.

A pessoa que trai está frequentemente buscando reconectar-se com a pessoa que ele ou ela já foi, antes da responsabilidade diária de trabalhar num emprego ou de manter família. Isto é especialmente verdade em uma era de redes sociais onde, quase sempre, casos começam por uma “conferida” em alguém do ensino médio, da universidade ou de um antigo local de trabalho. A questão não é tanto que a pessoa sente falta desta antiga conexão, e sim o quanto ela sente falta de ser a pessoa, novamente, que esta antiga conexão uma vez conheceu. A questão é: “Ainda sou a pessoa que eu era nesta época?”

Aqui, penso eu, ela está exatamente correta. Um tema comum que tenho encontrado em adúlteros é que aquele que trai está quase sempre buscando recapturar o sentimento de adolescência ou de juventude. Por curto período de tempo, a pessoa é varrida para um drama de romance de “eu te amo; você me ama?”, sem todos os fardos de quem está buscando Chloe na escola, ou de qual dia colocar o lixo reciclável na calçada, ou de como fazer o orçamento para a hipoteca. O amante secreto parece fazer a pessoa casada se sentir jovem ou “viva” de novo, até que tudo desabe. A pessoa, frequentemente, não está procurando por uma experiência sexual, mas por um universo alternativo, no qual ele ou ela fez escolhas diferentes.

Ela também está completamente certa no fato de que geralmente nossas ideias e expectativas do que faz um casamento “feliz” contribuem para o adultério. Dizem-nos para esperar “o Único” a fim de atendermos a toda necessidade de autorrealização. Restringimo-nos de fazer sexo com outros, ela observa, não por causa de um senso de dever moral, mas porque temos encontrado o único que nos fará felizes. A felicidade, entretanto, em nossas imaginações não corresponde ao que ela realmente é. “Temos conjurado um novo Olimpo onde o amor permanecerá incondicional; a intimidade, cativante; e o sexo muito estimulante, com uma pessoa, por um longo trajeto,” ela escreve. “E o trajeto torna-se cada vez maior.”

Os melhores, mais seguros e estáveis casamentos que conheço não são tipicamente aqueles que parecem “felizes” no sentido de autorrealização. Ao invés disso, são aqueles casamentos em que, geralmente através de profundo sofrimento, o marido e a esposa modelam o autossacrifício e o cuidado para com o outro. Como Cristo e a igreja, a união deles de uma só carne é forjada não através de demandas para o outro atender a necessidades, mas através de um senso de propósito comum. Nestes casamentos saudáveis, um cônjuge não olha para o outro para proporcionar identidade. Em vez disso, ambos os cônjuges encontram identidade em Cristo. Minha vida não é posta em perigo por comparação com outros casamentos ou com minha vida mais jovem idealizada, porque minha vida está escondida em Cristo. Isto concede a liberdade para amar. E, a longo prazo, isto concede o tipo de liberdade em que há a habilidade para alguém alegrar-se na esposa (ou marido) de sua juventude.

Um casal, mesmo um casal cristão, não deve assumir que eles são imunes à infidelidade porque eles amam um ao outro, porque eles são felizes, ou porque as acrobacias sexuais deles são frenéticas. O diabo sabe que a maneira de derrubar alguém não é através de um cônjuge deficiente, mas, sim, através de um eu deficiente. “Às vezes quando buscamos o olhar fixo de outro, não é de nosso companheiro que estamos nos afastando, mas da pessoa que nos tornamos,” Perel escreve. “Não estamos à procura de outro amor tanto quanto estamos à procura de outra versão de nós mesmos.”

É por isso que a Escritura nos chama para estarmos cuidadosos quanto à nossa própria vulnerabilidade. É por isso que a Escritura fala a maridos e esposas para manterem a união sexual um com o outro. Não porque o sexo é um apetite que deve ser ser satisfeito, mas porque o sexo pode nos conectar um ao outro, lembrando-nos de quem fomos chamados para amar e servir. Isto requer, porém, que alguém veja a si mesmo crucificado com Cristo, vivo nEle. Exige ver-se responsável diante de algo, Alguém, maior até mesmo que os seus votos de casamento. E isto requer que o amor não seja um meio para fazer a si mesmo grande, mas um meio de derramar-se por outro. Significa que deve-se ver que o cenário do casamento não é um espelho, mas uma cruz.

sexta-feira, outubro 06, 2017

Top 10 Reforma Protestante: Os melhores livros de (e sobre) Lutero

Martinho Lutero


Neste ano, a Reforma Protestante completa 500 anos e tanto no Brasil quanto no mundo, abundam as propagandas e o marketing editorial lançando obras dos reformadores ou sobre a Reforma, sendo que obras há muito já publicadas no exterior estão sendo lançadas e relançadas no Brasil. Certamente quem ganha com isso é o leitor brasileiro, que agora conta com um catálogo bem mais amplo de obras eruditas e excelente conteúdo. Destaquei aqui, dentre essas excelentes obras, algumas obras introdutórias para que o leitor que queira se aprofundar mais sobre o monge alemão que causou profundo impacto na igreja de Cristo. Tais obras variam no nível de complexidade, mas que contam com um excelente conteúdo informativo sobre a pessoa do reformador alemão, assim como algumas de suas obras mais famosas. Vejamos:







1. Lutero (Editora Vida): Essa biografia, escrita em 1916 e republicada em 2005 com linguagem atualizada, é uma pequena porém boa obra introdutória acerca da vida de Lutero. Os fatos são narrados de maneira simples, porém sem cair na superficialidade e sem deixar  também de dar detalhes importantes acerca da vida do reformador. Uma das melhores obras introdutórias acerca de Lutero.




2.  O Cativeiro Babilônico da Igreja (Martin Claret)- Umas das primeiras obras de Martinho Lutero, que juntamente com Da liberdade Cristã e À Nobreza Cristã da Nação Alemã, deram vazão à profundidade do movimento da Reforma. Nesse livro, um jovem Lutero é implacável contra a estrutura papal da Igreja católica. Aqui, o reformador anula a missa como sacrifício e a maioria dos sacramentos, atacando inclusive, a transubstanciação. Aqui temos Lutero no início, sendo que essa obra revela um importante passo dado pelo reformador rumo à maturidade espiritual como estudioso da Palavra de Deus.







3. A Teologia de Martin Lutero - Oswald Bayer (Sinodal) - Nessa obra, o teólogo alemão Oswald Bayer discute acerca da rica teologia de Lutero, revelando assim as profundezas do pensamento teológico-dialético do Reformador.






4. Da Autoridade Secular (Concórdia) - relançada neste ano, aqui temos Lutero defendendo  o princípio da distinção entre a autoridade secular  ou da "espada"(o estado) e a autoridade "da palavra" (igreja). Pode-se notar a influência de Agostinho, porém com um forte substrato bíblico-teutônico na pena do reformador. Vemos aqui que Lutero começa a defender algo pouco usual para a época: uma distinção clara entre igreja e estado, o que contribuirá para o conceito da liberdade de consciência. Livro essencial para entender a ética bíblico-política de Lutero, que pouco mudou no decorrer dos anos.







5.  Cativo à Palavra (Vida Nova) - Roland Bainton - Essa obra, lançada nos anos 50, até hoje é um clássico acerca da vida e obra de Lutero. Aqui, vemos detalhes minuciosos da vida do reformador e análises precisas acerca do contexto histórico do século XVI, tudo isso contado em uma linguagem simples de Bainton. Talvez seja a melhor biografia popular escrita sobre o reformador.







6. Lutero e a Teologia da Cruz (Cultura cristã)- Alister McGrath - Importante livro escrito sobre uma das maiores contribuições de Lutero à teologia: A teologia da cruz, esboçada por Lutero, contra a "Teologia das obras" esboçada pelo catolicismo romano. Escrita pelo conceituado escritor anglicano Alister McGrath, essa obra é recomendada inclusive por teólogos luteranos confessionais para um entendimento introdutório da obra de Lutero.







7. Da Liberdade do Cristão (Unesp) - Essa obra é uma das mais conhecidas de Lutero. Dada a questão que o ser humano é justificado pela fé e não pelas obras, como deve proceder o cristão com tal liberdade? Lutero elabora um conceito paradoxal de liberdade, expressa de maneira sucinta e por vezes citada por estudiosos: "Um cristão é um senhor submisso não sujeito a ninguém. O cristão é um servo submisso a todos". A edição da Unesp traz ainda em paralelo a tradução o texto original em alemão.






8. Educação e Reforma (Concórdia) - Obra clássica do reformador, onde ele descreve o inovador conceito protestante de educação. Ao contrário do pensamento elitista da época, todos deviam aprender a ler e a escrever, para que assim pudessem se instruir na Bíblia e nas ciências, tornando-se assim bons cidadãos e cristãos exemplares. Um livro extremamente recomendado para todos os profissionais de educação cristãos.







9. Nascido Escravo (Fiel) - esse livro, que serviu como uma resposta ao teólogo humanista Erasmo acerca do livre-arbítrio, mostra a capacidade argumentativa e firmeza bíblica de Lutero, além de seu talento como polemista. A obra foi uma das primeiras a debater um tema que se tornaria ponto de discórdia no protestantismo pós-reforma. Ao mostrar a depravação total do homem, Lutero mostra que este não tem como contribuir em nada para a sua salvação, dependendo exclusivamente da misericórdia de Deus. A edição da Fiel é uma versão abreviada da edição norte-americana feita por Clifford Pond e adaptada para um vocabulário atual. Para quem quiser conferir o texto completo deve conferir a edição da volumosa coleção "Obras de Lutero" editada pela Comissão Interluterana de Literatura, que hoje se encontra no 12° volume.


10. O Livro de Concórdia (Sinodal/Ulbra/ Concórdia) - Esse livro é o documento máximo e padrão para a fé luterana e confessional. Neles se encontram o Catecismo menor e Maior de Lutero, A Confissão de Augsburgo, Os Artigos de Esmalcade, entre outros. Neste documento, se encontram todos os fundamentos comuns a todos os cristãos protestantes e evangélicos, assim como as particularidades confessionais da Teologia luterana. Livro excelente para estudiosos da Reforma, teólogos e professores de escola dominical.






 Há outros livros e edições que merecem menções honrosas, como por exemplo a Compilação feita pela editora Vida Nova, que contém alguns livros dessa lista e outros principais escritos do Reformador. A biografia feita pelo professor luterano Martin Dreher também merece destaque nos estudos, assim como a edição comemorativa da editora Vida que juntou as 95 teses e o livro O Cativeiro Babilônico da Igreja em edição de bolso. O leitor que adquirir tais obras será grandemente abençoado ao conhecer um pouco mais sobre a vida e escritos do reformador alemão que sacudiu o mundo há quinhentos anos atrás. Boa leitura!

Soli Deo Gloria!