segunda-feira, outubro 12, 2015

Círio 2015: Mais um exemplo de imaturidade e confusão por parte de Assembleianos

Durante o mês de outubro, os cristãos paraenses têm de lidar com as programações relacionadas ao Círio: se não a maior, uma das maiores manifestações de culto mariano por parte dos católicos romanos¹. Os comerciais na televisão, as pequenas peregrinações nos bairros, as orações à Maria, dentre outras, são expressões católicas com as quais nos deparamos em inúmeras ocasiões.
Desde as vésperas da festa em si, há os devotos de Maria que subjugam seus corpos a vários tipos de "sacrifícios", geralmente, para agradecerem o que, segundo eles, foram bênçãos provenientes daquela que, para eles, é a senhora de Nazaré. Por exemplo, pessoas caminham por distâncias enormes a pé, de joelhos; o que ocasiona um enorme desgaste físico e mental. Neste contexto, muitas pessoas montam espécies de barracas a fim de atender aos romeiros, dando-lhes água, café da manhã e coisas semelhantes.

No entanto, há alguns anos, um grupo de assembleianos de Belém do Pará tem feito parte das pessoas que auxiliam os romeiros em suas atividades, de maneira oficial. Prática esta que tem sido divulgada em jornais locais. Mas, a questão é: tal prática é correta diante da Palavra de Deus?

Antes de respondermos a esta importante pergunta, gostaria de compartilhar com os irmãos alguns comentários que li no Facebook, hoje:


Figura 1.

Figura 2.

Figura 3.



Na Fig. 1, temos o comentário de um jovem assembleiano testemunhando da atividade da qual ele participou durante o círio, em que ele resume o seu "evangelismo" por meio da distribuição de água e amor. A Fig. 2 indica comentários realizados por alguns conhecidos desse jovem, sendo que o terceiro comentário foi feito por uma pessoa católica. Por fim, na Fig. 3, outra pessoa se manifesta em relação à ação no Círio e diz: "[...] Servimos nossos lindos irmãos católicos e o Senhor recebeu o mais lindo presente que faz o céu virar uma festa: almas!"

Ao observar estes (e outros) comentários, notamos, infelizmente, alguns pontos bastante sérios com relação a tais assembleianos:

I. Imaturidade quanto ao evangelismo

O evangelismo tem sido reduzido à distribuição de água e café, com a ideia de demonstrar amor. Entretanto, pela Bíblia, isto não é evangelismo, pois: "De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus" (Rm 10.17). Qualquer atividade, por mais sincera que possa ser, sem a pregação fiel da Palavra de Deus não é evangelística.

II. Imaturidade quanto ao amor de Deus
De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus.
Romano
De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus.
Romanos 1

Deus é amor. Ele age com misericórdia sobre todos os homens, de modo que Ele "faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos" (Mt 5.45). Entretanto, o fato de Deus amar as pessoas não implica em indiferença quanto ao estilo de vida que elas levam ou, em outras palavras, "tanto faz se elas creem em Jesus ou não". Observe:

"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. [...] Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece" (Jo 3.16 e 36).

III. Confusão tanto interna quanto externa

Querendo ou não, este tipo de atividade provém de pessoas que possuem liderança na igreja. Elas têm as suas ditas estratégias de evangelismo e levam inúmeros outros, na maioria jovens, juntamente com elas. Diante disso, então, pessoas que possuem pouco discernimento bíblico das coisas (embora cheias de boa vontade) são envolvidas em inúmeras atividades que parecem boas aos seus olhos. No entanto, como fruto, ao invés de evangelizar as pessoas, geram a falsa impressão de que "somos todos irmãos", "religião é coisa de homem", "nosso Deus é o mesmo" e de outros pensamentos semelhantes. Além de tudo isso, testifica-se para os católicos uma comunhão com eles, ou seja, de que se está participando da festa deles. E não importa o quanto se diga que tal prática não tem nada a ver com o culto mariano, a verdade é que isso funciona como um incentivo à idolatria, de maneira que o amor às almas vai por água abaixo. 

Concluo este texto citando a verdade bíblica acerca do único mediador entre Deus e os homens. Verdade esta que é desprezada de maneira clara e direta em cada Círio por parte dos católicos e que não está sendo levada em consideração por este grupo de assembleianos. 

"Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem. O qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos, para servir de testemunho a seu tempo" (1 Tm 2.5,6).

Que o Senhor Deus tenha misericórdia de nós e de nosso povo.

Nota:
¹ Utilizo o termo católico no sentido de católico romano ao longo de todo o texto.

6 comentários:

João Emiliano Martins Neto disse...

Nessas divergências entre as facções cristãs quem sai ganhando é o monstrengo estatal que poderá acabar tendo que separar brigas entre as facções litigantes com a ajuda da polícia. Algo deveria nos unir a nós cristãos de uma vez por todas. Quem sabe o direito divino de Deus no Cristianismo ser quem é que é ser Jesus o Deus que para nós cristãos Ele é consubstancial em outras duas pessoas o Pai e o Espírito Santo. Quanto ao outro lado do direito divino que é a supremacia papal a que todos os verdadeiros cristãos devem se subordinar e que é a principal bandeira de reivindicação para nós católicos, poderíamos adiar sine die essa questão. A questão toda é no Brasil e na América Latina atuais dominados pelos marxistas não darmos motivo para que o mostrengo estatal crie fôlego ao não querermos que o Brasil vire uma Irlanda do Norte com brigas entre católicos x protestantes.

João Emiliano Martins Neto disse...

Os católicos não negam com o Círio da Santíssima Theotokos os versos de São Paulo sobre só haver um só mediador entre Deus e os homens, mas a questão é que desde os primeiríssimos séculos do Cristianismo há a crença na mediação dos santos vivos e mortos junto com a especial a mediação da Virgem Maria. É Cristo e seu corpo a Igreja filha de Nossa de Senhora que intercedem junto ao Pai sendo tudo isso o próprio Cristo intercedendo junto ao Pai, mas o Christus totus (Cristo total) intercedendo junto ao Pai.

O problema é que vocês protestantes fizeram um espantalho de nós católicos que fica difícil de vocês o largarem. É evidente que esse espantalho é a única causa de ainda subsistir a facção protestante no mundo.

Nayana Freitas disse...

Texto interessante! Eu não aprovo estas ações. Creio que demonstração de amor devem ser dadas todos os dias, sendo cristão com autenticidade, dando testemunho de fé e alcançando essas pessoas em amor de forma que no mês de outubro elas não venham precisar do seu "apoio" em uma peregrinação, pois elas estarão libertas do julgo da idolatria!

Nilton Rodolfo Rodrigues disse...

João, se você crê que qualquer outra pessoa pode interceder por você junto a Deus, além do Senhor Jesus Cristo, você automaticamente nega que só há um mediador entre Deus e os homens. O texto bíblico (1 Tm 2.5) é bastante claro ao se referir a Cristo propriamente dito, e não à igreja.

Nilton Rodolfo Rodrigues disse...

Obrigado por passar por aqui, Nayana. Fica com Deus.

João Emiliano Martins Neto disse...

Nilton amigo, não há ninguém mais além de Cristo que intercede junto ao Pai como ensinou o Apóstolo (São Paulo), mas é o mesmo Cristo não só cabeça, mas com seu corpo, a Igreja, tendo a frente a Virgem Maria que intercede junto ao Pai, no final das contas, por ser um prolongamento de Jesus Cristo. Se nós, a frente Maria Santíssima, não podemos interceder, isso destrói a intercessão de uns para os outros já aqui neste mundo e os protestantes-evangélicos intercedem uns pelos outros em sua práxis cotidiana.

Desde muito anos antes de haver o primeiro protestante, precisamente 1500 anos antes, os cristãos sempre creram na intercessão dos fiéis defuntos, aliás, hoje, dia 02 de novembro, é o dia da Solenidade dos Fiéis Defuntos (Finados) para a Santa Igreja Romana.

O problema do Protestantismo é esse individualismo e subjetivismo atomizante e fragmentador que acaba é deformando completamente a idéia do que seja o Cristianismo.