segunda-feira, dezembro 31, 2018

Servorum 2018: sob a cruz e a glória.

O apóstolo Paulo certamente deve ser considerado como um dos homens mais notáveis da história do cristianismo. Inúmeros livros, pregações e polêmicas durante a história da igreja envolveram Paulo, sua teologia e seus escritos inspirados. Dentre os temas da teologia paulina, não há como não destacar a ẽnfase que o apóstolo dá à glória de Deus. Aos coríntios Paulo diz: Quer comais, quer bebais, ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus (1 Coríntios 10.31). O foco do apóstolo certamente é a glória de Deus. Essa glória se encontra em Cristo Jesus e este crucificado e ressurreto. Parafraseando Lutero, podemos dizer que a "teologia da glória" paulina se encontra na "teologia da cruz", ou então, a primeira é claramente exposta depois da última. Cristo é o Senhor pré-existente que,  vindo  a este mundo, voluntariamente se humilha até a cruz para depois ser recebido em glória (Fp 2.8-9 / 1 Tm 3.16). Ele que morreu de maneira humilhante, e por isso, Deus o exaltou de maneira inigualável (Fp 2.9-11). O tema da glória e do sofrimento se reflete igualmente na vida cristã, como bem demonstrou Paulo e os demais apóstolos no Novo Testamento.

No ano de 2018, mais do que nunca estes elementos se mesclaram. Tempestades vieram,  bonanças também. Em casa, bençãos,  bençãos e mais bençãos O Senhor Deus me abençou-me com uma bela menina, já meu amigo, Nilton Rodolfo, terá seu primeiro filho em 2019. No ministério, lutas e alegrias e depois, lutas novamente;  depois, mais alegrias.

O fato é de que aquele que segue ao Senhor Jesus sempre encontrará as bençãos e as lutas, mas até as lutas, estão no contexto das bençãos, pois assim é, enquanto estivermos nesta vida.

Jesus, respondendo, disse: Em verdade vos digo que ninguém há, que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou campos, por amor de mim e do evangelho,que não receba cem vezes tanto, já neste tempo, em casas, e irmãos, e irmãs, e mães, e filhos, e campos, com perseguições; e no século futuro a vida eterna.
 As bençãos de Deus são incontáveis, e mesmo as aflições ou tribulações não se comparam com aquilo que Deus fez por nós neste ano, e acima de tudo daquilo que ele fez por nós em Cristo 

Mas, como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, E não subiram ao coração do homem, São as que Deus preparou para os que o amam. 

É por esse motivo que o apóstolo se gloria em tudo, pois tudo coopera para o bem na vida do crente, inclusive a tribulação, que produz experiẽncia e por conseguinte a experiẽncia e esperança (Rm 5.3-4).  
Muito Deus  fez aos editores deste blog, e temos convicção: muito Ele ainda vai fazer. Mas acima de tudo, devemos nos gloriar e alegrar de tudo o que recebemos, e sermos agradecidos, o que inclui os seguintes pontos:

a) Sermos agradecidos no ministério: As aflições ministeriais fazem parte daquele que milita no ministério da Palavra, todavia, isso não deve nos desanimar, mas reconhecer que em tudo teremos galardão, se formos fiéis (1 Co 9.15-16). Sirvamos mais, reclamemos menos.

b) Sermos agradecidos pela família: Depois da salvação, não há presente mais importante do que a família, devemos louvar a Deus  por nos ter dado maridos/esposa e filhos (Sl 127.3-4). Há muitos que se encontram longe de sua casa, longe de bons relacionamentos familiares e  alguns nem família possuem. Mesmos nestes últimos, casos, Deus sempre será o refúgio (Sl 68.6).

c) Sermos agradecidos por termos o Senhor Jesus Cristo: Não há benção maior do que esta. Em Cristo, alcançamos a reconciliação, Em Cristo, temos a bendita esperança e a firme certeza de estarmos resgatados do pecado e firmes em Deus para sempre.

 Tendo essas três perspectivas em mente, certamente teremos nossos corações agradecidos e confortados. É importantissímo termos em mente que, a despeito de qualquer tipo de benção material ou sucesso que que tivemos em 2018. A maior, sem sombra de dúvida, ter a graça da presença de deus em nossa vida. 

Que Deus continue derramando a sua benção neste ano de 2019. Não somente a nós, mas a todos os nossos leitores. Sob a cruz de Cristo, para a glória de Deus.

Um feliz ano-novo nas bençãos e na presença de Cristo!

Soli Deo Gloria

segunda-feira, dezembro 24, 2018

Natal: Achemos o menino!

E, tendo eles ouvido o rei, partiram; e eis que a estrela, que tinham visto no oriente, ia adiante deles, até que, chegando, se deteve sobre o lugar onde estava o menino. E, vendo eles a estrela, regoziram-se muito com grande alegria. E, entrando na casa, acharam o menino com Maria sua mãe e, prostrando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, ofertaram-lhe dádivas: ouro, incenso e mirra. Mateus 2:9-11 

Os três homens haviam andado muito tempo em busca do menino, eles vinham do oriente e foram à Jerusalém. O que os guiava na busca pelo menino era uma estrela brilhante, que não parava fixa em lugar. Depois de encontrarem com um impiedoso rei e continuarem sua busca, finalmente viram a estrela se fixar. A Escritura relata: "... e eis que a estrela, que tinham visto no oriente, ia adiante deles, até que, chegando, se deteve sobre o lugar onde estava o menino. E, vendo eles a estrela, regozijaram-se muito com grande alegria." (Mateus 2. 9-10). Não há dúvidas da beleza do episódio bíblico que relata o nascimento de Jesus, e com certeza a busca dos magos nos faz pensar e refletir: o foco da busca era o menino.

Para os crentes em Cristo, o natal sem dúvida é uma data especial. Muitas igrejas protestantes/]evangélicas celebram o "advento", a encarnação do Verbo de Deus, o Senhor Jesus. Não é a à toa que há muitas luzes no natal, sendo que podemos dizer que naquela noite, possivelmente mesmo não havendo muitas estrelas, a Luz do mundo veio e "tabernaculou entre nós" (Jo  1.14).

O episódio dos magos (ou "sábios") é um dos mais queridos e lembrados nesta época. De maneira interessante, vemos que há uma leve discrepância, que encontramos nas bíblias baseadas no Textus Receptus, como é o caso da passagem de Mateus 2.11:


"E, entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe,e, protando-se, o adoraram; e, abrindo os seus tesouros, lhe ofertaram dádivas: ouro, incenso e mirra" (ARC).
"E, entrando na casa, eles viram o menino com Maria sua mãe e, prostando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, ofertaram-lhe dádivas: ouro, incenso e mirra" (BKJ Fiel - 1611).

Enquanto que a ARC diz "acharam", a versão portuguesa da King James (em consonância com a versão inglesa) afirma que os magos "viram". A diferença aqui não é meramente uma questão de tradução de uma mesma palavra grega, mas da tradução de uma variante nos manuscritos bíblicos, que envolve o Texto Bizantino, a Poliglota Complutense e o Textus Receptus.

Qual das variantes é a correta? Se formos seguir a maioria, "eidon" de longe é a preferida, ainda que "euron" também se enquadre perfeitamente no contexto do texto bíblico. Um ponto digno de nota é que "euron" está também presente na Vulgata latina (invenerunt), mostrando que a leitura atesta de boa antinguidade, ainda que seja minoritária em grego.

Seja como for, o sentido aqui é claro: Os magos já haviam visto a estrela que os conduzia a Cristo, o que trouxe a eles grande alegria. Todavia, não bastava encontrar uma evidência, um sinal, que apontasse para Cristo. Era necessário encontrarem o Salvador, e isso fizeram, quando entraram naquela casa, e viram o Deus-homem, quando o "viram", também o "acharam".


Que possamos seguir o mesmo exemplo destes homens. Que possamos relembrar do momento quando Deus nos chamou, quando nos conduziu pelas evidências, de maneira alegre  também entrarmos em um relacionamento com Cristo. Que possamos nos alegrar por tê-lo visto e, ao vê-lo, o achado. Não há bem maior que possamos ter do que Jesus Cristo, o Messias. Que você possa, caro leitor, caso ainda não o tenha conhecido, também o possa ver e se regozijar n'Ele.

O blog Servorum Dei deseja a todos os seus leitores um Feliz Natal!
Soli Deo Gloria.

sexta-feira, outubro 26, 2018

REFLEXÕES: ESCOLA BÍBLICA E POLÍTICA.





"Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego.

Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá pela fé.

Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça.

Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou.

Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis;

Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu.
Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos.
E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis.
Por isso também Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si;
Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém. " Romanos 1:16-25
(...) Os quais, conhecendo o juízo de Deus (que são dignos de morte os que tais coisas praticam), não somente as fazem, mas também consentem aos que as fazem." Romanos 1:32
 
Algumas pessoas recentemente me perguntaram como cristãos conseguem desenvolver uma paixão messiânica por políticos, inclusive por políticos e partidos nitidamente anticristãos, como visivelmente se têm apresentado os partidos de esquerda no Brasil. Minha resposta é simples, são cristãos que não compreenderam ou abandonaram o verdadeiro Evangelho – digo isso em ambos os espectros, direita ou esquerda.

Para ilustrar brevemente meu ponto, quando mais novo, minha classe (do irmão Rodolfo também) da Escola Dominical, inclusive professorada pelo irmão Victor Leonardo, costumava se chamar “Romanos 1” exatamente porque muitas das questões apresentadas nos levavam à referida porção bíblica nos dando diversas respostas acerca da desolação da condição humana pós-queda. Uma visão nítida da depravação do homem e da miséria de sua alma na mente, no coração e nos atos fica exposta nos revelando a profundidade da morte existencial pós-queda.

Um dos muitos caminhos mortais de desequilíbrio, que termina por conduzir alguém à idolatria, é exatamente o desprezo pela doutrina do pecado e da miséria humana, dessa porção inalienável da mensagem do Evangelho, 

Os contraditórios cristãos de esquerda têm esquecido que a desolação humana após a queda não se dá unicamente no nível material, mas no moral, ético, espiritual, estético, etc. Dá-se no âmago do ser, deformando-o por inteiro, e que a redenção somente pode ser alcançada em Cristo porque Ele é o perfeito homem que pode redimir inteiramente o homem que nEle crê.

O problema do contraditório cristianismo de esquerda é que seus adeptos trocaram a visão evangelical de desolação humana pela visão da pobreza de posses da visão materialista-dialética do socialismo, consequentemente abandonando a noção de uma redenção integral e bíblica, disponível unicamente em Cristo. Compraram uma visão inadequada do mal, o que trouxe-lhes uma visão medíocre de redenção. Por este motivo, conseguem atribuir visão messiânica a partidos de esquerda que prometem como redenção distribuição de renda ao mesmo tempo em que estão dedicados e comprometidos com a degradação moral e a total oposição, deboche e ódio pelo Evangelho da Cruz e, portanto, pelos reais valores cristãos.

É exatamente por esta alienação do Evangelho bíblico que, apesar de todo o projeto maligno e degradante que a esquerda apresenta explicitamente, os ditos crentes de esquerda apoiam tais partidos. Isso resulta do pouquíssimo conhecimento acerca do problema do mal que possuem, de maneira que eles não se aproximam nem mesmo da noção escriturística de corrupção da matéria, pois ignoram o principal aguilhão contra o corpo, o aguilhão da morte que bem material algum conseguirá deter.

Alguns podem argumentar: “mas a direita também não pode trazer redenção”. Tenho isso totalmente por certo, e tenho considerado um vergonhoso absurdo a postura visivelmente idólatra que também alguns cristãos têm adotado na esfera política de direita, inclusive aqueles que por antipatia justificada ao projeto nefasto da esquerda, contraditoriamente começaram a se intitular cristãos libertários. Digo vergonhoso, pois qualquer idolatria é uma afronta ao Senhor, seja ela do indivíduo ou do estado.

Repudio qualquer manifestação de confiança na força de algum homem ao ponto de aguardá-lo como Messias; tal ato também é uma afronta a Cristo.

Alguns já devem ter pensado, “eis aí mais um texto ‘isentão’”. Na verdade, não. Sou acima de tudo um cristão, por isso penso em política de maneira cristã. Por este motivo tenho grande simpatia pelo conservadorismo – não idolatria, mas simpatia – exatamente nos pontos que possuem pautas consideradas justas e boas pela Escritura; pois tenho como obrigação, à luz da Escritura, chamar o bem de bem e o mal de mal, amar o que Deus ama e abominar tudo aquilo que Ele odeia, a desejar tempos de paz (Isaías 5:20) – e não vislumbro tal possibilidade em qualquer governo de esquerda.

Desta forma, teço minhas considerações finais, aos ditos cristãos de esquerda: tomem vergonha na cara! A teoria socialista claramente despreza vocês, sempre se opôs a Cristo e a religião, uma vez que reduzem a realidade e o ser à matéria, ignorando qualquer noção de dimensão espiritual e, consequentemente, a verdadeira miséria do homem. Vê-los implorando por aceitação a um declarado inimigo da Cruz é uma vergonha para o Evangelho.

Aos cristãos que se aliam à direita, digo-lhes que apesar do caos e do desespero que uma era possa trazer à nossa sociedade e vida, não depositem confiança redentiva na política ou em homem algum; olhem para o alto, busquem a Deus, façam política que glorifique ao Senhor, orando e zelando por tempos de paz, orando pelas autoridades, chamando de bem o que é bem e de mal o que é mal, desprezando o crime, desprezando toda e qualquer maldade, amando o que Deus ama e odiando o que Ele odeia, aguardando no Senhor o Seu grande dia onde de fato desfrutaremos de justiça social. Votem com coerência cristã, mas nunca com idolatria.

Preguem ao homem a verdadeira desolação de suas almas e a esperança disponível no único Messias de Deus.

Para se prevenir, basta retornar às verdades do Evangelho que são poderosas para salvar a tua alma e a te guardar incontaminado do mundo (Tiago 1:21). E assim poderás seguir nesta terra desolada com a esperança da redenção de todas as coisas em Cristo Jesus, no dia certo de sua segunda vinda. Creio que um bom jeito de começar ou se desenvolver é também fazer como aprendemos na Escola Bíblica: retornar e ler Romanos 1.

segunda-feira, junho 18, 2018

O que Armínio era - e os assembleianos não são...



Prosseguindo com as polêmicas do post anterior, o pastor Altair Germano, o atual paladino da "herança arminiana" e guardião dos bons costumes nas Assembleias de Deus, continua a disparar contra a "influência calvinista" dentro da Assembleia de Deus e sua luta pela casa publicadora dentro da denominação. Mas do que se trata a herança arminiana? Quem foi Jacó Armínio? Se fizessem tal tipo de pergunta à grande maioria dos assembleianos cerca de cinco a sete anos atrás, apenas os especializados em teologia  e crentes mais estudiosos poderiam responder com certa precisão. Muito da vida de Armínio passou a ser descoberto apenas recentemente, com a publicação de obras biográficas e da  publicação de suas Obras  Obras pela CPAD. Hoje a propaganda do momento é a "herança arminiana"a ser preservada pela denominação. Porém, antes que possamos fazer qualquer defesa de tal herança, vejamos quem Jacó Armínio era teologicamente, e os assembleianos não são:
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a) Armínio era Pedobatista:

Como um bom membro da Igreja Reformada Holandesa, Armínio nunca se posicionou contra o batismo infantil e por aspersão em suas obras. Como um bom adepto da teologia da Aliança, Armínio foi categórico:

"O objeto deste batismo não é real, mas apenas pessoal, isto é, todo o povo do concerto de Deus, quer sejam adultos ou crianças, com a condição que que as crianças sejam filhas de pais que façam parte do novo concerto, ou se um de seus pais estiver entre o povo do concerto de Deus, porque a ablução no sangue de Cristo lhes foi prometida e, também, porque, pelo Espírito de Cristo, eles estão enxertados no corpo de Cristo". (Obras de Armínio, Vol. 2.p.144).

 A Assembleia de Deus, todavia, desde o início seguiu o credobatismo, também chamado de Batismo de Crentes, algo reafirmado na Declaração de Fé assembleiana. Vejamos o que a Declaração de fé afirma:

"Não aceitamos nem praticamos o batismo infantil por não haver exemplo de batismo de crianças nas Escrituras e por não ser o batismo um meio da graça salvadora, ou sinal e selo da aliança, que substitui a circuncisão dos israelitas. Também por não ser possível à criança ter consciência de pecado, condição necessária para    que    ocorra    arrependimento.    As    crianças,    em estado pueril, não preenchem esses requisitos. Sobre a circuncisão, o pensamento cristão bíblico é: “em Cristo Jesus nem a circuncisão, nem a incircuncisão tem virtude alguma, mas sim o ser uma nova criatura” (Gl 6.15). Cremos e ensinamos que o batismo é apenas para os que primeiramente se arrependem dos seus pecados e creem em Jesus,4 sendo também necessário pedir para ser batizado: “Eis aqui água; que impede que eu seja batizado? E disse Filipe: É lícito, se crês de todo o coração. E, respondendo ele, disse: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus. E mandou parar o carro, e desceram ambos à água, tanto Filipe como o eunuco, e o batizou” (At 8.36-38). Assim, os candidatos ao batismo precisam exercer o arrependimento e a fé. O Novo Testamento mostra o batismo posterior à    fé. Isso é visto no dia de Pentecostes e na campanha evangelística de Filipe em Samaria: “como cressem em Filipe, que lhes pregava acerca do Reino de Deus e do nome de Jesus Cristo, se batizavam, tanto homens como mulheres” (At 8.12). Esses fatos não deixam margem para o batismo infantil "(Declaração de fé. Sobre o Batismo Infantil. p. 129).


b) Armínio era Aliancista:

Ainda que Armínio não escreveu algo diretamente escatológico, seguindo sua linha aliancista  no caso do pedobatismo,  pode-se concluir seguramente que Armínio era um tradicional amilenista na escatologia. Nesta visão, não há espaço para arrebatamento "secreto", pré-tribulacionista, nem tampouco um milênio literal. A assembleia de Deus, ao contrário, tradicionalmente adotou o dispensacionalismo, que afirma tudo o que o amilenismo nega. Interessantemente, o próprio dispensacionalismo surgiu entre calvinistas¹.

c) Armínio era Cessacionista:

Talvez a maior incoerência para os defensores da tradição arminiana dentro das assembleias de Deus seja essa: Armínio nunca defendeu a atualidade dos dons espirituais, pelo contrário. Seguindo um tipo de raciocínio semelhante ao encontrado em muitos reformados, Armínio categoricamente negou a atualidade dos dons espirituais e nem sequer cogitou a ideia do batismo com o Espírito Santo posterior à conversão. Armínio foi claro:

"Uma vez que iniciemos a defesa dessa perfeição [da Escritura] contra inspirações, visões, sonhos e outras coisas novas e entusiásticas, afirmamos que, desde a época em que Cristo e seus apóstolos peregrinaram pela terra, nenhuma inspiração de qualquer coisa necessária para a salvação de qualquer indivíduo ou da igreja foi feita a nenhuma pessoa ou congregação de pessoas, coisa essa que não esteja, de uma maneira plena e extremamente perfeita, contida nas Sagradas Escrituras." (Obras de Armínio Vol. 2.p. 23)


Mas aí, o leitor pode objetar que, a bem da verdade, a Assembleia de Deus segue a soteriologia de Armínio, não outros aspectos de sua teologia. Bem,  a grosso modo essa declaração pode soar como verdadeira, porém nem mesmo isso se dá de maneira precisa. Em seu esquema teológico, Armínio não nega a doutrina dos decretos de Deus (elemento característico da teologia reformada), mas os reformula com uma estrutura sinergística. Nem a grande maioria dos assembleianos e nem mesmo a Declaração de Fé segue o esquema proposto por Armínio. Na verdade o que temos é a versão arminiana modificada por John Wesley, onde não se estabelecem decretos divinos na eternidade. Um detalhe importante é que Armínio pareceu inclinado a defender a doutrina da perseverança do santos, e categoricamente afirme que nunca ensinou que o crente possa perder totalmente a sua salvação, algo que a Declaração de Fé assembleiana nega veemente. A declaração de Armínio pode ser vista no 1° Volume de suas Obras:

Embora eu aqui, aberta e sinceramente, afirmo que eu nunca ensinei que um verdadeiro crente pode, total ou finalmente, abandonar a fé, e perecer; todavia não nego que haja passagens da Escritura que me parecem apresentar este aspecto; e as respostas a elas que tive a oportunidade de ver não se mostraram, em minha opinião, convincentes em todos os pontos. Por outro lado, certas passagens são fornecidas para a doutrina contrária [da perseverança incondicional] que merecem especial consideração

A Declaração de Fé profere uma visão acerca da apostasia nos moldes wesleyanos, mas sua formulação chega a uma estranheza que surpreenderia até John Wesley:

"Rejeitamos a afirmação segundo a qual “uma vez salvo, salvo para sempre”, pois entendemos à luz das Sagradas Escrituras que, depois de experimentar o milagre do novo nascimento, o crente tem a responsabilidade de zelar pela manutenção da salvação a ele oferecida gratuitamente: “Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo” (Hb 3.12). Não há dúvidas quanto à possibilidade do salvo perder a salvação, seja temporariamente  ou eternamente. Mediante o mau uso do livre arbítrio, o crente pode apostatar da fé, perdendo, então, a sua salvação: “Mas, desviando-se o justo da sua justiça, e cometendo a iniquidade, fazendo conforme todas as abominações que faz o ímpio, porventura viverá? De todas as justiças que tiver feito não se fará memória; na sua transgressão com que transgrediu, e no seu pecado com que pecou, neles morrerá” (Ez 18.24). Finalmente temos a advertência de Paulo aos coríntios: “Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe não caia” (1 Co 10, 12). Aqui temos mencionada a real possibilidade de uma queda da graça.51 Assim, cremos que, embora a salvação seja oferecida gratuitamente a todos os homens, uma vez adquirida, deve ser zelada e confirmada" (Declaração de fé. É possível a perda da Salvação. p.114).

Todos esses fatores revelam claramemte que não há necessariamente, nenhuma simbiose entre o arminianismo e o pentecostalismo, pelo menos não no que diz respeito ao pentecostalismo assembleiano. .

- Que diferença isso faz?

Muita, a bem da verdade. Como já escrevi em artigos anteriores, o que define ser pentecostal e assembleiano não é afirmar calvinismo ou arminianismo. A Assembleia de Deus não enfrenta uma cise de identidade por causa do calvinismo, e sim um crise de identidade por não saber o que é pentecostalismo. Se alguém perguntar para a maioria dos jovens pentecostais entre 20 e 30 anos quem foi Myer Perlman, Donald Gee ou Stanley Horton a ignorância será memorável. 

Ora, publica-se uma obra com tantas distinções doutrinárias como a de Armínio, que não superam sua importância teológica, não há motivo para temer obras publicadas por calvinistas, pois ainda que possuam certa distinção teológica, não contribuem para a igreja de Cristo? Quem poderá negar o valor das obras de Nancy Pearcey e R. C. Sproul para a apologética por exemplo? Ou Josefo e Eusébio para a história do Cristianismo? Campenhausen para a patrística? Negar o valor de tais obras devido seus autores serem de outra linha teológica é alienação espiritual e suicídio intelectual.

No que tange à CPAD, há espaço sim para publicações evangélicas de ambos os lados teológicos. As possíveis distinções autorais podem ser reparadas com simples notas de rodapé editorais, como as que a editora fez na obra A Bíblia Explicada, de S. E. McNair. Publique-se Lutero, Calvino, Armínio, Wesley, Spurgeon. Certamente todos nós seremos abençoados em Cristo.

Soli Deo Gloria.

Notas:

1. Acerca da origem calvinista no dispensacionalismo, leia o artigo " A Herança Calvinista do Dispensacionalismo" de Thomas Ice, disponível aqui: https://www.chamada.com.br/mensagens/calvinismo_dispensacionalismo.html

2. As citações dos escritos de Armínio são da tradução feita pela CPAD, porém neste último utilizei a feita pelo irmão Clóvis Gonçalves do blog  Cinco Solas: http://www.cincosolas.com.br/2008/08/arminianos-ouam-armnio.html.

sexta-feira, junho 15, 2018

Entre Calvinismo e Arminianismo Assembleiano: A questão da CPAD


Em tempos de Copa do Mundo, a  última coisa que pensei em escrever seria sobre a polêmica envolvendo o calvinismo e arminianismo no meio assembleiano-pentecostal. Porém, como em um artigo anterior eu  disse que voltaria a explorar esse assunto, a época atual se mostra propícia para tal. Mais uma vez, diga-se de passagem, a figura do pastor Altair Germano encabeça um vigoroso ataque contra a publicação de obras calvinistas na Casa Publicadora da Assembleia de Deus (CPAD). Dessa vez o alvo para o chumbo quente de Altair não é ninguém menos que Charles Spurgeon. Sim, caro leitor, lestes bem: o alvo agora é o considerado o maior pregador do Cristianismo (depois de João Crisóstomo): Charles Spurgeon.

Recentemente a CPAD publicou aquela que é considerada a Magnum Opus de Spurgeon: "Tesouros de Davi", um extenso comentário sobre o livro dos Salmos, voltados para a aplicação prática, pregação e devocional. Tal obra, inédita em língua portuguesa, deveria certamente ser considerada um marco editorial para a Casa Publicadora, porém Altair não poupou críticas a tal publicação, pois a considera  uma erva daninha às Assembleias de Deus no Brasil, herdeira da tradição teológica de Jacó Armínio (um nome desconhecido para uma grande maioria de assembleianos, até recentemente). Em um post em seu perfil do Facebook, o pastor Altair dispara: "O próprio Charles Spurgeon, autor da obra, chegou a declarar que o deus dos arminianos (nós assembleianos somos soteriologicamente armínio-wesleyanos) não era, nem nunca seria o seu Deus...". De fato, como é comum na vida de pregadores, Spurgeon disse coisas aqui e ali que sem dúvida provocariam (e de fato provocaram) controvérsias. Spurgeon começou sua vida de pregador saindo da adolescência, assumindo uma considerável igreja no início de seus vinte anos.  No início de seu ministério, Spurgeon proferira fortes ataques contra os arminianos e exaltação do calvinismo. Todavia, esse não é o quadro absoluto da história. Como nos conta Iain Murray, em sua obra Spurgeon versus Hipercavinismo: A batalha pelo verdadeiro evangelho(PES)  que com o passar do anos Spurgeon "deixou grandemente  de lado a prática de chamar outros cristãos de 'hipercalvinistas' ou de 'arminianos'. Os termos podem não ser depreciativos, porém nas controvérsias eles logo começam a carregar esse sentido e dessa forma podem alienar os cristãos a quem são aplicados..." e acrescenta " Spurgeon, como todos os filhos dos homens, tinha que aprender humildade, e ele nem sempre esteve isento de culpa com relação a isto em seus primeiros anos, mas lhe foi dado ver que um sistema que procurava atribuir tudo à graça de Deus tinha confiança demais nos poderes da razão". Ao analisar tais declarações, devemos lembrar que em debates polêmicos, muitos arminianos também não estão isentos de afirmações descabidas e exageradas.

Quando se analisa a exclusão sectária de qualquer obra de cunho não-aminiano da CPAD, não serão somente obras de presbiterianos e batistas rígidos que serão excluídas, mas boa parte do catálogo da Casa, dentre tais obras se incluem os livros de Norman Geisler ("tomista" evangélico- Batista) e também:

-"Mártires do Coliseu", de A. J. O'Reilly (Sacerdote Católico),

- "O Peregrino", de John Bunyan (Batista),

- "O Treinamento dos Doze", de A. B. Bruce (Presbiteriano calvinista, mais tarde liberal),

- "História dos Hebreus", de Flávio Josefo (Judeu - traduzido pelo padre Vicente Pedroso).

- "Os Pais da Igreja", de Hans Von Campehausen (neo-ortodoxo?),

- "História de Israel", de Eugene H. Merril (Batista Calvinista),

 - "História eclesiástica" de Eusébio de Cesaréia (católico oriental),

 - "Quem é você para julgar?" de Erwin Lutzer (Batista Calvinista).

Como se pode notar, tal lista abrange obras clássicas que beneficiaram toda a igreja brasileira no decorrer dos anos (a despeito da posição teológica ou até mesmo heterodoxia em alguns casos). Retirar tais obras do catálogo da casa é insensatez e presunção editorial. Quando uma editora se concentra em produzir apenas um tipo de literatura , é de se esperar que o sucesso seja "explosivo" no início,  porém com o passar dos anos, a produção venha a ter considerável queda e então a editora deve partir para uma renovação. Editoras como a Reflexão e Carisma podem sofrer desse mal daqui a alguns anos.

Com relação a publicação de obras calvinistas pela CPAD e sobre o calvinismo no meio assembleiano já escrevi com mais detalhes  em artigos anteriores (acesse clicando aqui e aqui), porém digo e repito: O problema que se enfrenta hoje nas Assembleias de Deus não é o calvinismo, mas sim três fatores: analfabetismo bíblico (incluindo a doutrina pentecostal), legalismo e política eclesiástica. Enquanto tais fatores prevalecerem, tal denominação começa a andar em círculos, quer seja calvinista, quer arminiana. Isso é algo que obreiros assembleianos, calvinistas ou arminianos, precisam atentar.


Soli Deo Gloria

sábado, abril 21, 2018

A necessidade do choro diante da morte

"Jesus chorou", relata o apóstolo João [1]. E isto é desconcertante. Muito. Para nós que vivemos em uma geração que despreza o choro, a atitude do Senhor Jesus diante da realidade da morte de Lázaro é perturbadora. Afinal, por que Jesus chorou -- visto que ele sabia de que Lázaro ressuscitaria a alguns minutos?

Pense comigo. Segundo os sermões fúnebres que são comumente ministrados em muitas das igrejas frequentadas por nós, Jesus não teria razão alguma para chorar.

Por que Jesus age contrariamente ao padrão de muitos pastores modernos que nem aparentam contrição? Por que o Senhor Jesus moveu-se intimamente em face da tristeza de Maria e das pessoas que a acompanhavam [2], mesmo depois de ter falado à Marta que Lázaro ressuscitaria [3]? A razão é simples: a morte é uma desgraça. A morte é consequência da desobediência de nosso pai Adão [4]. Assim, ela não faz parte do propósito original de Deus para o homem.

Diante disso, necessitamos reafirmar a malignidade da morte e a realidade dela como intrusa na criação. Porque, quer queiramos ou não, apenas refletindo acerca do sofrimento resultante da morte de cada ser humano, poderemos contemplar o poder do Senhor Jesus como Redentor. Ele veio para desfazer as obras do diabo e para aniquilar a morte. A morte é a última inimiga a ser vencida por Ele [5].

O choro de um cristão não deve ser desprovido de esperança, mas também não deve ser trivial. Na verdade, o choro de um cristão tem de testemunhar de boa teologia. Como dizem as sagradas Escrituras: "Alegrai-vos com os que se alegram; e chorai com os que choram." [6]

Por isso, precisamos imitar a atitude do Senhor Jesus. Para tal, precisamos de bom entendimento de como a morte se relaciona com a criação, queda, redenção e consumação. Lembrando-nos de que a má teologia não é capaz de consolar. Seja pela trivialização da morte (enfatizando a ressurreição em demasia) ou pelo desespero diante dela (enfatizando a queda demasiadamente), a péssima teologia não pode dar o quadro geral para quem chora.

No entanto, a boa teologia permite que os cristãos chorem uns com os outros, tal como ensinado pelo apóstolo Paulo. Não falo de simplesmente mandar mensagens de pêsames no Facebook; falo de estar junto com o que chora, em carne e osso. Apenas assim, estaremos verdadeiramente chorando com os que choram e testemunhando de teologia saudável.

Que Deus seja glorificado.


Referências:

[1] Jo 11.35.
[2] Jo 11.33.
[3] Jo 11.23.
[4] Rm 5.12.
[5] 1 Co 15.26.
[6] Rm 12.15.

sexta-feira, março 30, 2018

Ele clamou em nosso lugar

"E desde a hora sexta houve trevas sobre toda a terra, até à hora nona. E perto da hora nona exclamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamá sabactâni; isto é, Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? E alguns dos que ali estavam, ouvindo isto, diziam: Este chama por Elias, e logo um deles, correndo, tomou uma esponja, e embebeu-a em vinagre, e, pondo-a numa cana, dava-lhe de beber. Os outros, porém, diziam: Deixa, vejamos se Elias vem livrá-lo. E Jesus, clamando outra vez com grande voz, rendeu o espírito. E eis que o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo; e tremeu a terra, e fenderam-se as pedras; e abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos que dormiam foram ressuscitados; e, saindo dos sepulcros, depois da ressurreição dele, entraram na cidade santa, e apareceram a muitos. E o centurião e os que com ele guardavam a Jesus, vendo o terremoto, e as coisas que haviam sucedido, tiveram grande temor, e disseram: Verdadeiramente este era o Filho de Deus. E estavam ali, olhando de longe, muitas mulheres que tinham seguido Jesus desde a Galiléia, para o servir; entre as quais estavam Maria Madalena, e Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu" (Mateus 27.45-56).

Jesus foi desamparado. Na cruz do calvário, o Filho de Deus encarnado experimentou as piores consequências do pecado: a ira e o afastamento de Deus. Ele jamais pecou (Hb 4.15), porém ele foi feito pecado por nós (2 Co 5.21). O imaculado cordeiro de Deus levou sobre si os nossos pecados (Is 53.4,5) e morreu substitutivamente por nós -- no lugar do povo de Deus.

Se o Senhor Jesus não tivesse efetuado eterna redenção na cruz, nós permaneceríamos afastados de Deus -- sem o favor paternal do santo Deus. Veja bem: nem sequer clamaríamos "Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?", visto que já estávamos condenados e longe da comunhão salvífica do Senhor (Jo 3.18). Pela misericórdia do Deus triúno, o Messias prometido cumpre o clamor profetizado no salmo 22: "Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Por que te alongas do meu auxílio e das palavras do meu bramido?" (Sl 22.1)

O Redentor, o Senhor Jesus Cristo, é o único que pode nos livrar da ira e do afastamento da presença de Deus. É apenas por meio dele, confiando nele de todo o coração, que podemos nos achegar a Deus favoravelmente. Sem a fé em Cristo, teremos de lidar com o juiz de toda a criação, o próprio Deus, com base em nossas próprias obras. No entanto, quem de nós pode subsistir diante da justiça do Deus eterno? Somente quem é limpo de mãos e puro de coração pode adentrar à presença de Deus com segurança (Sl 24.3,4). Ou seja, sem Jesus, estamos perdidos. Sem Jesus, lidaremos com Deus baseados em nossa sujeira, nossos pecados conhecidos e ocultos perante os homens. Não há como fugir: sem Jesus, já estamos condenados. 

Contudo, ainda há esperança. A maravilhosa Palavra de Deus continua ecoando: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo 3.16).

Pelo fato de Jesus ter clamado o início do salmo 22, ele também pôde cumprir o verso 22 do mesmo salmo: "Então declararei o teu nome aos meus irmãos; louvar-te-ei no meio da congregação." Assim, graças à obra de Deus em Cristo, todo aquele que arrepende-se de seus pecados e confia na obra e na pessoa do Filho de Deus, Jesus de Nazaré, é admitido no povo de Deus. Mais que isso, os crentes em Jesus são feitos irmãos dele -- o povo de Deus é a família de Deus. 

Se você quer experimentar da comunhão genuína com o santo Deus e com a família de Deus, a igreja do Senhor, entregue-se a Cristo hoje. Por meio da Palavra, ele declara a você:

"Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve" (Mt 11.28-30). 

Que Deus seja glorificado.