quinta-feira, novembro 19, 2009

Uma Flor Gloriosa


Seu amor ultrapassava sua gloriosa beleza. Sendo esta apenas um autêntico reflexo da glória de Deus, revelada em seus olhos de amor. Seu pai, oriundo de um pequeno vilarejo de Portugal, casara-se com uma jovem moça da região de Belém no Pará. tal moça distinguia-se das demais, pois vinha de uma família diferente em seu estilo de vida. tal moça costumante se chamava de "crente" e era freqüentemente chamada de "irmã".

Dessa união vieram cinco filhos, sendo quatro meninas e um menino. Estava assim, formada a a família dos Baeta em Belém, mais precisamente localizada no bairro conhecido como "Cidade velha", devido às suas casas antigas, de séculos anteriores. Esta ramificação da família situara-se dentro do surgimento do movimento pentecostal brasileiro. Neste caminho, tal família seria uma das testemunhas mais vivas dessa expansão.

Por propósito celeste, aprouve ao Senhor permitir a morte do único filho do casal, ainda em tenra idade. Sobraram apenas as moças, as quatro belas rosas, que preenchiam os assentos do então antigo Templo- Central da assembléia de Deus em Belém do Pará. Era a mais nova e bela das rosas.

Sensível, protegida e afável, ela fora a única que herdara os claros olhos do pai, o "gigante português", apelido dado devido a sua considerável altura.
A primeira rosa era mais sábia, forte e perseverante das três, casara-se cedo e cedo e constituíra família. A segunda rosa, qual nutro afeto especialíssimo, era a mais valente, corajosa e franca das irmãs( ficando, neste último quesito, um pouco abaixo da irmã mais velha).

A terceira rosa se diferenciava da segunda em apenas pequenos pontos. talvez a maior diferença não era em questões de moral e caráter, mas a cor de sua pele, que "puxara" para sua mãe. era a única morena das quatro. Apesar das inúmeras qualidades das três últimas, o autor deste artigo concentra-se na quarta rosa.

Esta foi cotejada e era cheia de beleza. Sua delicadeza e doçura destilava-se nos ambientes onde se encontrava, o que não excluía sua personalidade forte, algo característico das três. Apesar das três rosas possuírem características distintas semelhantes, o que conferia ainda mais unidade ao grupo, a última possuía o sorriso e o ânimo necessário em tempos de júbilo e em tempos trabalhosos.

Ela sempre fora uma mulher respeitável e não casara-se cedo, optando por ser uma das que mais se doava em prol de sua família. Devido a isso, fora a que também recebera grande doses de sofrimento.

Com a morte precoce do marido, as expressões de lutas mais se acentuaram em seu rosto, assim como o seu sofrimento. Tal fatores contribuíram para sua saúde e problemas no coração.

Tais empecilhos, todavia nunca a impediu de ter uma vida de oração e conhecimento da palavra do Senhor. Seu constante relacionamento com o Senhor a fortalecia diante dos desgaste físico que tinha de suportar. Sua vida de oração constitui-a-se de oração e reflexão. Muito lhe preocupara a saúde espiritual de seus sobrinhos, em especial de um, o primogênito da segunda rosa.

Após a morte da primeira rosa e juntamente com todos os obstáculos, ela permanecera como uma das irmãs mais firmes em oração, caridade e dedicação genuinamente cristã.

Com seu testemunho, ela fora instrumento de bençãos para muitos, assim como de instrução para um menino.

Tal menino crescera e, quando ainda adolescente se convertera, para alegria de sua mãe e tia, e para certo desgosto, ainda que disfarçado, do pai.
Muitos questionam qual seria a maior benção que Deus pode conceder a um ser humano depois da salvação de sua alma. Afirmo veementemente que é a salvação de outra.

Nos últimos dias de sua vida ela pôde contemplar o maior presente de sua vida: A conversão do primogênito da segunda rosa. Quando testemunhou a conversão de seu amado sobrinho, ela entoou um cântico composto recentemente. O título desse cântico ainda ecoa em minha mente: "FELICIDADE".

Poucos dias após esta noite, seu estado de saúde repentinamente se agravara. aquele que dantes era um menino conversou com ela no telefone:

- Tia, como a senhora está? se cuide, há muita gente que pode cuidar da senhora aí.

- Tá bom filho -respondera ela, com sua doce voz habitual - Eu te amo tá?

- Eu também tia - replicou aquele que já fora um menino - lhe amo demais.

Esta fora a minha última conversa que tivera com Leonor baeta, a mais delicada das irmãs de minha avó. Eu nunca me esquecerei de seu carinho e afeto não somente em tempos de paz, mas também seu apoio em tempos de tribulação e não pouco sofrimento. A mais bela das rosas partira; deixando um impacto indelével na família, amigos e irmãos em Cristo. assim como no belo hino de Frida Vingreen, a rosa de saron havia sido tirada, e foi brilhar em outro lugar

É dever de todos nós, jovens, lutarmos por tais rosas e recebermos legitimamente seus dons, com alegria, amor, firmeza e fidelidade cristã, para que seu legado seja um benigno memorial para as gerações que virão.
Este é o meu sincero desejo, pela graça de Deus. abençoados sejam todos aqueles que puderam contemplar esta mulher, abençoados sejam todos os que puderam contemplar tão belo testemunho.

Em memória de Leonor Baeta.

Victor Leonardo, o menino que ela amou.

Soli Deo Gloria.

5 comentários:

Pr. Carlos Roberto disse...

Caro Leonardo,

A Paz do Senhor!

Registro meus sentimentos, e os sinceros votos que o Espírito Santo console o teu coraçào e de toda a família.

Seu texto é lindo, emocionante e um tratado de gratidão.

"Preciosa é à vista do Senhor a morte dos seus santos"

Um grande abraço!

Pr. Carlos Roberto

Ednaldo disse...

Paz Leo,

Vieram-me lágrimas aos olhos ao ler o seu in memoriam, faço côro com o ilustre Pr. Carlos Roberto, que o Deus de toda consolação guarde o teu coração e de toda família até o grande encontro celestial, onde novamente sentirás o maravilhoso odor desta e tantas outra rosas, impreguinado no sumo jardineiro Jesus.

NAquele que nos amou primeiro,

Ednaldo.

Victor Leonardo Barbosa disse...

Olá pastor Carlos, a Paz do Senhor!

Só tenho a lhe agradecer pelo apoio dado. Não é fácil para muitos a superação da perda de alguém tão próximo e especial, todavia, nestas horas temos a consolação do Espírito Santo, derramada também através de nossos amados irmãos.

Só tenho a lhe dizer muito obrigado!


Olá Ed! A Paz do Senhor

Só tenho a te agradecer, juntamente com o pastor Carlos, pelo apoio prestado e obrigado por compartilhar minha homenagem. Verdadeiramente um dia nos encontraremos de novo, e cearemos com o nosso sumo jardineiro!

Forte abraço e Deus te abençoe!

Rui Baeta disse...

Oi meu filho, parabéns por tal sensibilidade ao descrever uma flor tão especial, amo vc.

Victor Leonardo Barbosa disse...

Olá Tio Rui!

obrigado por seu importante(primeiro, aliás) comentário no blog.

Que Deus te abençoe grandemente amado tio.

Um forte abraço!