terça-feira, julho 19, 2011

Breve comentário sobre o centenário




Durante cerca de um ano e meio, a igreja em Belém viveu sob a expectativa das comemorações do centenário. Campanhas e mais campanhas de arrecadações foram feitas e vários irmãos contribuíram de forma massiva para que a celebração se concretizasse. Com o passar do tempo, já não se ouvia mais falar de outra coisa, a não ser de tal celebração, o que provocou um misto de "agonia e êxtase" sobre diversos irmãos, obreiros e pastores, que despenderam de suas forças, trabalhos, finanças e até saúde para ver a mega-estrutura do Centro de Convenções do Centenário concluído, não há dúvida que todos os membros da igreja em Belém estiveram envolvidos, quer direta ou indiretamente.


Como membro da igreja em Belém pude contemplar todo o processo desde o início, e posso falar que, de forma tímida, contribuí para a festa, no que se refere a uma contribuição financeira, a bem da verdade, eu estava tratando de estudos teológicos, ensinando na Escola Dominical e pregando quando socilicitado, e assim como um membro comum e com pouco recursos, não vi a hora de chegar ao tempo da festa, tant para comemorar quanto por sentir o alívio de finalmente as campanhas intermináveis terem fim.


No primeiro dia que marcava a celebração, fui juntamente com o pastor e membro do GQL (além de amigo) Carlos Eduardo na inauguração do Museu Histórico da Assembleia de Deus, onde tive grata surpresa de ver objetos históricos e certas nuances da história do pentecostalismo brasileiro, além de ver belíssimos quadros de Lydia Nelson e retratos dos presidentes da igreja em Belém. Documentos, Bíblias, cadeiras e outras coisas complementavam o acervo, que por certo foi um ponto alto na celebração do centenário, ainda que a badalação tenha vindo do centro de convenções, com a capacidade de 22 mil pessoas. Não fui no centro pessoalmente.

Pinturas a óleo de todos os presidentes da igreja em Belém



Frente do Museu Histórico, nos moldes da casa de Celina Albuquerque.




Interior do Museu no dia da inauguração




Victor Leonardo e Carlos Eduardo Leite, editores do GQL na inauguração do Museu Histórico.



Amostra de Fotos dos pioneiros



No sábado, pude acompanhar a pé a imensa carreata que cocorreu a partir do local onde desembarcaram Daniel Berg e Gunnar Vingreen, conhecido como "escadinha", milhares de pessoas se emocionaram com a representação teatral da chegada feita por dois membros da Igreja-Mãe, sendo que Daniel Berg foi representado por Kléber Almeida, que já serviu juntamente com os membros do blog na Missão com Adolescentes da Igreja-Mãe, de 2007 ao final de 2009.

Milhares de pessoas esperando A encenação simbólica da chegada dos pioneiros

A bordo de um navio simbolizando o Clement, começou a carreata que simbolizava a chegada dos pioneiros em Belém

Dos três dias de festa no mangueirão, fui apenas no primeiro. O que vi realmente foi uma programação muito bem feita, e em termos técnicos, superior as festas anteriores, com exceção do som, o que prejudicou muito o entendimento das pregações (para quem acompanhou pela televisão, não teve esse problema).


Acompanhei o centenário como um membro e como escrevi anteriormente, com certas reservas. Pude tecer certas reflexões, as quais não diferem muito das que já foram feitas anteriormente neste espaço, mas merecem serem revisadas e refinadas. Não há como não ter aproveitado bons momentos nessa festa, e que mostraram um pouco do povo assembleiano. Porém é óbvio que nem tudo são flores no que tange a nossa denominação.

Concordo com o pastor Geremias do Couto, qualquer reflexão recente pode trazer mais parcialidade do que soluções, mas é possível tecer alguns breves comentários sobre a Assembleia de Deus em Belém, creio que tal situação pode ser aplicada em várias congregações assembleianas no resto do Brasil. Uma das metas que irei brevemente falar não são novidade alguma, mas creio eu ser necessário constantemente lembrá-las.


Objetivos mais centrados na Palavra de Deus.

Nossa igreja cada vez mais adota técnicas pragmáticas em seu núcleo de ação; e quando falo pragmáticas não me refiro somente a metodologias seculares mas que podem dar certo em época de eleições convencionais, mas nas mais diversas áreas, em especial as ditas "evangelizações" em congressos especiais, onde temos de tudo, desde parque de diversões a exibições de kickboxing, além dos louvorzões, as danças coreográficas e peças teatrais. Todos esses elementos destituem a pregação do Evangelho e a evangelização corajosa e singela por satisfação do ego e da liderança inerte, que engana a si mesma com tais metodologias.

Todavia um dos problemas majoritários em várias Assembléias de Deus permanece a fraqueza doutrinária e legalismo arbitrário em muitas congregações (ainda que, a meu ver, tal situação há muito melhorou no quadro assembleiano, pelo menos na cidade das mangueiras), onde temos uma espiritualidade subcristã, onde os "cultos de fogo" reinam juntamente com manifestações espirituais absurdas, sem raízes na Palavra de Deus. Ambos os extremos devem ser evitados e a Palavra de Deus genuinamente ser central no culto e uma pregação genuinamente expositiva. Aliado a isso, um maior preparo bíblico-teológico de obreiros e membros, através a valorização de nossos seminários e escolas dominicais. Hoje, o número de obreiros despreparados é surpreendente, sendo que a nova geração de pregadores e pastores não se liberta dos modismos teológicos e doutrinários, sendo nada mais do que uma repetidora de clichês heréticos. Enquanto tais coisas existirem em nossas igrejas, o futuro de nossa igreja pode ser cada vez mais conturbado e prejudicado.


O devido suporte a genuína liderança pastoral.

Não há dúvida que muitos pastores firmados com Deus buscam, mas não possuem as condições mínimas para exercerem a sua função (algo que também é estendido ao corpo regente em geral), com poucos recursos para cuidarem de sua família, saúde e crescimento espiritual. Muitos não possuem condições para comprar livros e até mesmo Bíblias novas ( me refiro as edições em geral, pois a de estudo são um peso até mesmo para quem possui uma quantidade razoável de recursos).

O que temos é um pequeno bloco de liderança que possui a maior parte dos recursos materiais para concluir seus objetivos, enquanto que muitos não possuem o recurso para pelo menos começar. Tal quadro precisa ser urgentemente mudado em nossa denominação, com uma aplicação sensata e bíblica dos direitos pastorais aos que são genuinamente pastores, todavia para que isso ocorra, creio que não é muito afirmar que há uma verdadeira necessidade  de reforma na seleção de ministros da Palavra. Uma seleção biblicamente sensata de líderes e ministros da Palavra tem como padrão o mesmo escrito pelo Apóstolo Paulo em 1 Timóteo 3:1-13 e não simplesmente carisma e popularidade, muitos menos capacidade de angariar ofertas e dízimos, ser guiado por metodologias pragmáticas de crescimento de igreja ou então política de apadrinhamento.
É óbvio que tais mudanças não sairão através dos que praticam tais atos, mas dos que genuinamente são fiéis. É urgente a necessidade da genuína liderança pentecostal testemunhar de Cristo.

Conclusão:


Há muitos outros objetivos a serem tratados, sendo que principalmente o que tange a liderança assembleiana. Desde este autor em particular, adere a causa da Terceira Via nas eleições convencionais da Assembleia de Deus, sendo que esta tem sido exposta com clareza pelo pastor e amigo Geremias do Couto em seu blog. Creio que tais mudanças são uteis e necessárias se queremos deixar algo de bom para o próximo centenário. E que Deus nos ajude nesse processo.

Amém.

Soli Deo Gloria


Um comentário:

Mario Sérgio disse...

Meu caro irmão Victor Leonardo,

Infelizmente a situação aqui ni sul não é muito diferente. Obreiros com pouco preparo teológico, são "largados" na liderança de muitas congregações com a finalidade de produzir resultados. As promessas de ascensão ministerial seduzem e, fazem com que os mesmos se entreguem de corpo e alma ao sistema eclesiástico que vigora. Como se diz no Congresso Nacional, essa turma é o baixo clero, pois o alto clero é que conduz a igreja em tudo.

Mas reflexões como essa são necessárias. É importante divulgar nossas ideias e inconformismo.

Um grande abraço!