sábado, abril 13, 2013

CGADB 2013: O partidarismo mata, mas o Espírito Vifica






Desde algumas semanas que não há postagens regulares no blog GQL, isso se deve em grande parte a várias tarefas: trabalho, família, faculdade, e também o ministério em uma pequena congregação assembleiana local. Longe da opulência da realidade que nos cercava quando estávamos na Igreja-Mãe, as lutas foram diferentes, assim também como os desafios enfrentados (que apesar de aparentemente mais simples, também possuíam forte confronto pessoal), todavia, tudo dentro de um contexto de uma igreja local. Tais preocupações e ambiente tiraram dos escritores "principais do blog" (Janyson, Nilton e eu) não somente a frequência ao escrever (algo que esperamos mudar), mas também nos distancia da fadiga e das lutas políticas que enfrentamos tempos atrás, pelo menos, partindo de minha experiência pessoal. Tal afastamento foi, a meu ver, extremamente positivo. Todavia, isso não significa que ficamos totalmente alheios ao que acontecera nesse período (algo impossível dentro de um contexto assembleiano), porém nossos focos e atenções principais foram dirigidos a algo mais próximo (e por certo infinitamente mais importante do que horas a fio nos meandros da política dentro instituição eclesiástica): a preciosa vida das ovelhas de nossas igrejas. 

Desde minhas últimas postagens acerca da CGADB e do estado em que esta se encontra atualmente, pouca coisa mudara. No cenário atual, nenhum dos partidos por assim dizer traria realmente uma mudança substancial para a CGADB e um refinamento ministerial para o benefício da igreja, juntar-se a algum deles ou apoiá-los não seria necessariamente insensatez, mas desperdício de tempo e fadiga desnecessária. Caso o pastor Samuel Câmara fosse eleito, por certo sentiríamos certo ar de renovação e um considerável dinamismo, que traria alívio em muitos aspectos, mas a meu ver, isso só se daria no âmbito administrativo para eclesiástico. A ênfase em um ensino bíblico sadio que os membros de nossas igrejas receberiam, através de um profundo e ortodoxo conhecimento bíblico vindo de pastores genuinamente vocacionados íntegros não encontra voz no partido nortista (assim também como no sulista), muito menos espaço no atual cenário político assembleiano. Para quem está no centro, o cenário é desolador e leva a desilusão, mas para quem está a margem, é propício à reflexão.

Durante muito tempo eu tenha sido visto com alguém aliado de Wellington e de sua política eclesiástica, haja vista sempre parecer que eu tecia críticas mais profundas ao ministério da igreja-mãe, mesmo sendo um de seus filhos, a resposta que dou a isso é muito simples: sei falar muito mais e também melhor do ambiente em que convivo do que o do vizinho distante. O conhecimento que possuo do sul vem do relato confiável de irmãos em Cristo que convivem de perto com essa realidade; e também daquilo que vi quando visitei a igreja do Belenzinho em outubro do ano passado. Por mais valiosos que esses relatos sejam não há como formar uma crítica abrangente de quem vive lá. O que vi no templo do belenzinho reflete bem o ministério de Welligton: nas cadeiras dos pastores, que ficam atrás do púlpito, há uma cadeira especial, que na verdade mais se assemelha a um trono, toda banhada em ouro (pelo menos eu acho), reservada apenas ao pastor presidente, e naquela época, havia também grandes cartazes com a foto do presidente anunciando, se não me engano, a publicação de sua biografia. A pregação daquele dia fora simplista, superficial e eisegética. Todavia, não há dúvida que a despeito de suas falhas, houve contribuições para o ensino bíblico, ainda que de forma indireta. Durante seu governo, a CPAD investiu em livros teológicos profundos e de sabedoria bíblica. Ainda que houvesse graves erros, como a publicação da Bíblia Dake, e alguns livros de qualidade bíblica duvidosa. Com certeza há outras coisas piores e que vai além de meus conhecimentos

Porém sei o que vejo em meu contexto. Quanto a igreja mãe, lembro-me que na época do centenário, houve uma intensa campanha de arrecadação de fundos para a construção do Centro de convenções, feito às pressas e em pouquíssimo tempo, tendo também um alto custo em sua construção, a solução adotada fora a obrigatoriedade feita para as ofertas dos membros das igrejas locais. Com isso vinham bingos, sorteios semanais de carros zero-quilômetro, festas sociais. Membros que precisavam de uma ajuda financeira davam grandes fatias para o "desafio do centenário". O grande problema é que mesmo passada as celebrações, os cupons permaneceram, assim também como os sorteios; caso o pastor local não consiga vender tais cupons, o clima de "fraqueza pastoral" sente-se no ar e o medo de perder o ministério, torna-se um grande temor. Há escolas de pregadores na igreja mãe (pelo menos até certo tempo existia), para auxiliar os jovens pregadores. Porém o modelo de pregador adotado é o do atual ministro de direitos humanos (falo de teologia e homilética, não de questões políticas). A teologia da prosperidade e o analfabetismo bíblico andam juntos em cursos como esse. Há também outras alas, mais voltadas ao pragmatismo neopentecostal, refletido principalmente no ministério de adolescentes, jovens e até mesmo nos casais. Aqui, a filosofia de ministério é pautada por eventos e encontros. A escola dominical é considerada o ministério por excelência, mas é óbvio que deve ceder a atividades mais contemporâneas como cultos de vale-tudo, e outros com temáticas absurdas e superficiais.

Não quero com isso passar à ideia que a igreja-mãe não possua qualidades, muito menos as congregações filiadas a ela, muitas tendo pastores e membros sinceros e genuinamente devotados ao Senhor. Nem tampouco conheço o coração do pastor Samuel Câmara, o qual tenho respeito e carinho desde a adolescência, porém não há duvidas que tais elementos existam por seu consentimento,  sendo que claramente os vemos em seus métodos e filosofia de ministério.

O resultado dessa eleição nos mostra uma coisa: teremos mais do mesmo. Fazendo um retrospecto, pude ver que muita ênfase é dada a eleição, como se o dia de votação fosse o dia "D". A esperança do surgimento de uma nova via, comandada por algum candidato firme e íntegro que apareceria e transformaria todo o sistema era, em termos práticos, quase messiânica para alguns. Mas só há um Messias, este foi morto e ressuscitou e está assentado a direita do Pai. Uma mudança é lenta, e às vezes imperceptível.  A mudança não se encontra em uma eleição, mas em nossas igrejas locais, através de obreiros vocacionados, íntegros, cheios do Espírito e poderosos nas Escrituras, que busca formar, pela graça de Deus, uma membresia biblicamente saudável. A reforma deve vir a partir do fundamento dado pelo Espírito: a Palavra de Deus. Por muito tempo, afirmei que dentro de todo esse contexto, deveríamos buscar fazer a nossa parte. Mas que parte era essa? Administrativa? Política? O apóstolo Paulo tem muito a nos ensinar: Cumpre bem o teu ministério (2 Tm 4:7). É óbvio que precisamos de uma liderança boa, íntegra e escrava da cruz a frente da CGADB. Esse é o desejo de meu coração. Porém para uma CGADB firme, precisamos de pastores íntegros, e isso só se forma em nossas nossas congregações locais. São os que permanecem firmes na Palavra e dispostos a pagar o preço é que começarão a serem instrumentos de mudança ali. Enquanto isso, teremos administradores cuidando de seus negócios. A mudança não deve começar simplesmente no sistema político, mas na igreja. A CGADB não reflete simplesmente seus males, mas os males dos líderes, e a questão se encontra no próprio conflito da igreja. Para termos uma CGADB saudável, precisamos de igrejas saudáveis, e isso só acontece quando líderes dão exemplo ao seu rebanho, um exame bíblico e ético. A mudança deve ocorrer no sistema da escolha de pastores das congregações, e não de partidários a uma organização.


Parafraseando apóstolo Paulo, o partidarismo, pelo menos como se vê hoje, mata e destrói, mas os firmados em Cristo serão vificados e renovados. Aos tantos pastores genuínos e que verdadeiramente se preocupam com tal situação: descansem, voltem para casa, e para os braços de suas amadas ovelhas. Estas por sua vez, os receberão igualmente com braços abertos.


                                                                                                                          Soli Deo Gloria

6 comentários:

Pr. Genivaldo Tavares de Melo disse...

Li atentamente este artigo e apreciei muito. Gosto de comentários saudáveis, sinceros e acima de tudo, imparciais. Esse tipo de comentário nos enriquece, abrem horizontes. Somente quero fazer aqui, defesa quanto a cadeira do pastor JW (rsss); nunca tive a chance de toca-la, mas, tenho certeza que não deve ser folheada e sim dourada. Essas cadeiras tronos, são sempre frutos, de obreiros que gostam de fazer de tudo para agradar seus líderes e por vezes, causando prejuízos a eles, por excessiva exposição no terreno da vaidade. Infelizmente, em todos os lugares temos desses que vivem buscando agradar para manter posição. Aprendi desde cedo que amar o pastor é protege-lo nas horas necessárias, quando algum lobo tenta comer suas carnes, isto sim, é de Deus, mas, andar com flanelinha dando polimento em tudo é uma doença, na verdade uma praga que não sabemos como extingui-la.

Daladier Lima disse...

Infelizmente, prezados, esse é o quadro e pelo menos, por quatro anos, não haverá mudanças. A menos que a realidade nos arraste. Vamos ver o que acontece. Fiz um breve comentário em meu blog sobre a entrevista do Pr. José Wellington à Folha de São Paulo, se puderem, opinem.

AbraçoS!

Haroldo Azevedo disse...

Infelizmente vivemos em dias da busca pelo centralismo religioso, e nos arraiais da Assembleia de Deus não é diferente.Uma denominação estilo coxa de retalhos difícil de ser unificada por quem quer que seja levantado para dirigir a CGADB, os fragmentos eclesiásticos se proliferam de norte a sul causando desconforto para toda a membresia da Igreja. Os sábios não se contaminam os tolos estão defendendo partidariamente seus ídolos dentro desta politica vergonhosa denominacional. Tudo poderia transcorrer naturalmente sem a ambição humana e a vaidade pessoal, porém o que se vê é o mesmo cenário da politica nacional mundana. Enquanto isso as eleições estão ai só faltam os caras pintadas.......

Carlos Eduardo disse...

Muito bom o seu artigo meu amigo. Toda esta análise é verdadeira, ainda mais quando se fala de se ir apenas para votar para as AGO(sou testemunha ocular deste fato). Neste artigo você foi muito sincero, imparcial e de um coração que quer e faz esta MUDANÇA silenciosa. Que Deus continue te dando graça e forças.

Atenciosamente e no amor de Cristo.

Evangélico Social disse...

Boa Tarde. A Paz do Senhor.

Desde já peço que me perdoe por importuna-lo.

Eu assim, como alguns irmãos, desenvolvemos o Evangélico Social, trata-se de uma rede social exclusiva para nós evangélicos, vide www.evangelicosocial.com.br.

O Evangélico Social segue as mesmas linhas do Facebook.

O Evangélico Social fora inserido na web a pouco mais de trinta dias, e temos feito uso do Facebook, Twitter, salas de bate papo do Uol, e claro o boca a boca para divulga-lo. Em pouco mais de trinta dias já contamos com cerca de 2000 mil usuários ativos.

Como nós não dispomos de recursos financeiros para investir em publicidade, temos feito ações como as mencionadas acima.

Gostaríamos de saber se existe a possibilidade de algum tipo de parceria, troca de banners.

Vale ressaltar que tivemos a ideia de desenvolver o Evangélico Social, tendo em vista a Intolerância Religiosa que nos assola, seja por pessoas de outras religiões, como também, por Evangélicos assim como nós que são de igrejas diferentes, sem contar isso, outro fator que nos motivou, fora que com um projeto deste, podemos aproximar os irmãos e irmãs, para que com isso exista maior integração e interação, seja com compartilhamento de conteúdos, a troca de testemunhos, mas além disso, poder fazer do Evangélico Social um instrumento de Evangelização.

Grande abraço e que o Senhor possa se fazer presente em sua vida, e na vida de sua família hoje e sempre.

Cordialmente;

Equipe Evangélico Social
evangelicosocial@gmail.com
www.evangelicosocial.com.br

Eliseu Antonio Gomes disse...

Victor, amigo e irmão.

Estou aqui na cidade de São Paulo, me converti lendo o Novo Testamento e após isso passei a ser membro de uma congregação vinculada ao ministério do Belenzinho.

Desde meus primeiros passos na fé, com parte da família já pertencente ao ministério até como fundadores de igreja na região, não me ative à placa denominacional. Foquei meu compromisso em Jesus Cristo.

E assim como eu, estão muitos outros cristãos. Passam de largo nesta questão da política eclasiástica. Wellington ou Câmara presidente da CGADB, pouco importa, se as portas da congregação continuarem abertas para louvar a Deus. Para os congregados eles não fazem parte da comunidade, porque são figuras distantes e continuarão longe independente do resultado de eleições.

Na minha modesta opinião, a melhor coisa que pode acontecer para a Assembleia de Deus é o fim da CGADB. Considero que ela é uma instituição que mais atrapalha do que ajuda, escandaliza mais do que edifica, serve mais aos interesses do ego do que aos interesses do Espírito.

E.A.G.