terça-feira, novembro 06, 2007

A Reforma, O Protestantismo e as Universidades.


É inegável o fato da reforma ter sido um movimento com profundos toques de eruditismo. Outro fator que está intimamente ligado a este, sem dúvida, é a questão das universidades terem contribuído para que o movimento reformista tivesse bagagem e fundamento na palavra de Deus.
As universidades ganharam força na Idade Média, onde a maior ciência era a teologia, então considerada a rainha de todas as outras. Foi em universidades que surgiram gênios do calibre de Anselmo de Cantuária e Tomás de Aquino. Foi dela que saíram homens controversos como Guilherme de Occam, Pedro Abelardo, entre outros. É inegável o fato das universidades terem sua história misturada com o cristianismo. Os reformadores não foram exceção em valorizar as faculdades, pelo contrário, Lutero começou sua reforma debatendo contra oponentes brutais como Eck na universidade de Winttenberg, que apoiou grandemente a reforma Luterana na Alemanha. Calvino obteve grandes feitos na academia de Genebra, os puritanos foram grandes professores em universidades como Oxford, além de fundarem Havard, uma das mais conceituadas universidades americanas. Jonathan Edwards foi o primeiro presidente de Princenton.
Hoje, em um mundo cada vez mais secularizado, onde universidades e faculdades tem como fundamento o marxismo, uma filosofia abertamente anti-cristã, a maior denominação evangélica do Brasil, no qual faço parte, também carece de faculdades e universidades voltadas para o ensino bíblico e sadio, dentro de uma perspectiva cristã. A assembléia de Deus possui uma rica e bela tradição em escola dominical, algo que por muito tempo vem fortalecendo os crentes da denominação(apesar dela cada vez mais está sendo menosprezada ou jogada de lado pela liderança da igreja, quer por descaso, quer por controvérsias politicas e pessoais). Todavia, falta em minha denominação, uma identidade universitária. Os metodistas e presbiterianos, e também Luteranos estão à frente dos pentecostais nesta área. Apesar da Assembléia de Deus ter uma tradição bem sólida em seminários, falta uma perspectiva e aprofundamento maior em outras matérias que abrangem a vida humana, como economia,política, relações humanas, comunicação. É necessário que a igreja habilite profissionais para que exerçam o seu ministério dentro de uma perspectiva cristã, onde tudo o que se faz seja para a glória de Deus. Essa era a perspectiva dos puritanos e dos reformadores iniciais. E isso não se restringe aos calvinistas, pois sinergistas como os pietistas também tiveram relações com universidades, Armínio debateu em favor do sinergismo em uma Universidade na Holanda.
Com o número cada vez maior de heresias e filosofias anti-bíblicas no mundo, os pentecostais devem cada vez mais levantar o estandarte da Verdade e estabelecer instituições compromissadas com a doutrina e perspectiva cristã. É necessário um maior engajamento nessa área. Cada vez mais o Brasil necessita de uma reforma educacional. Muitas vezes perdemos a oportunidade de inciar essa reforma. Muitos problemas que temos hoje, como o Marxismo, o evolucionismo, o ateísmo, homofobia e outros seriam amenizados se tivéssemos começado isso a mais tempo. Mas nada está perdido, e certamente Deus tem nos dado testemunhas de que isso é possível de se realizar. Eis aí o nome deles: Lutero, Calvino, Edwards, Aquino, Armínio e tantos outros.

Soli Deo Gloria

5 comentários:

Esdras Costa Bentho disse...

Kharis kai eirene.
Meus parabéns por este importante post. Concordo plenamente a respeito da tradição das igrejas reformadas em estabelecer colégios, faculdades e universidades em detrimento a nossa denominação que, com muita dificuldade, implantou alguns seminários teológicos no Brasil. A exigüidade do espaço não nos permite tecer muitas considerações a respeito, embora esse assunto seja oportuno. Uma das razões pelas quais ainda não temos uma universidade das Assembléias de Deus explica-se política, social e religiosamente. Infelizmente, nossa prezada CGADB ainda continua letárgica a respeito do tema. Apesar de termos a FAECAD entre outras faculdades evangélicas, algumas com bons cursos, ainda estamos longe, “muiiito longeee” do ideal. Não escreverei mais esperando que outros blogueiros discutam o tema e suscitem indagações pertinentes ao assunto.
Um abraço

Gutierres Siqueira, 18 anos disse...

Infelizmente, nos assembleianos, não temos uma tradição acadêmica. Esse texto mostra essa triste realidade.
Os metodistas, que é um grupo pequeno no Brasil, têm uma grande universidade; assim como os presbiterianos e luteranos e até os adventistas tem uma grande universidade.
E o que dizer da Igreja Católica com as suas PUC´s . Hoje eu estudo em uma faculdade pertencente aos Padres Paulinos, donos da editora Paulus.
Em minha opinião, o rigor (que palavra forte!) acadêmico deve ser uma das prioridades da Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil (CGADB). As Assembléias de Deus nos EUA tem a University Global, e isso há muito tempo.
Outro fato lamentável, irmão Victor, é que não temos nenhuma faculdade assembleiana que ofereça mestrado ou doutorado em Ciências da Religião e Teologia. Se quisermos estudar essas matérias, tem que recorrer aos batistas e presbiterianos. Isso precisa ser mudado!

Gutierres Siqueira
www.teologiapentecostal.blogspot.com

Carlos Roberto Silva, Pr. disse...

Caro Victor Leonardo!
Importantíssimo seu post.
Concordo com os comentários de Esdras Costa Bentho e do irmão Gutierrez, no entanto, infelizmente enfrentamos as consequências de uma opção assembleiana de base.
Agora, o que de melhor se pode fazer, é cada um de nós enfrentarmos esta dura realidade, semeando a cada momento uma nova visão, dentro das oportunindades que cada um tivermos, porém, só acredito em resultados palpáveis para uma próxima geração, se Jesus ainda não tiver voltado para arrebatar a Sua Igreja.
Isso não nos impede de procurarmos fazer da melhor forma uma boa semeadura.

Vitor Hugo da Silva disse...

A paz do Senhor Jesus Viktor!

Definitivamente nós, assembleianos, carecemos e muito de seminários teológicos, e ainda, seminários teológicos 100% pentecostais. Em minha cidade, Joinville, possuímos a Faculdade Teológica Refidim, ao qual o próprio pastor Esdras fora professor por um bom período de tempo. É uma faculdade interdenominacional, porém respaldada pela nossa Assembléia de Deus em Joinville. Porém, não trata-se de uma faculdade 100% pentecostal. Não que não devemos estudar o calvinismo ou outras linhas teológicas, porém devemos frisar e salientar a importância do movimento pentecostal dentro da teologia mundial.

O que nos falta?

A resposta é quase NADA!

Professores? Temos os mais capacitados dentro do Brasil, homens que possuem seus corações voltados para o ensino da Palavra de Deus.

Alunos? Temos muitos, porém vale ressaltar que o pentecostalismo ainda carece do incentivo ao estudo sério e sistemático da Palavra de Deus.

Finanças? Não creio, pois como somos a maior igreja pentecostal do mundo, isto seria de fácil resolução.

Lugar? Escolheria o Brasil. Não pelo fato de ser morador deste país abençoado, mas por questão de necessidade. O nosso país carece de um ensino pentecostal de alto padrão.

No ´´QUASE NADA`` da resposta entra a força de vontade por parte de nossos superiores em levantar uma UNIVERSIDADE TEOLÓGICA PENTECOSTAL DO BRASIL - agora fui longe demais, não é verdade?

Arrisco em recomendar um reitor, a saber, pastor Antônio Gilberto.

Deus o abençoe grandemente!
Vitor Hugo.

Victor Leonardo Barbosa disse...

Obrigado irmãos por sua participação nestes posts, infelzimente isso é uma dura realidade qu percebi nas Assembléias de Deus. Fui criado como reformado, estudei em um colégio presbiteriano na adolesc~encia, que enfatizava bastante tais coisas e com uma filosofia distintamente puritana.

Obrigado pela contribuição pastor Esdras, oremos para que a nossa CGADB possa mudar este triste quadro.

Tomara Gutierres, que nossos filhos não precisem estudar em boas faculdades, mas com filosofias bastantes distintas do ensino bíblico, ainda que carrguem certa tradição "cristâ".

Xará, concordo com você, a Assembléia não fez ainda alguma coisa porque não quer. è absurdo dizer que não tem dinheiro ou coisa semelhante.

Pastor Carlos, realmente talvez essa mudança não seja do dia para o outro, mas se vermos as reformas, vemos que semrpe houve um grande proresso neste processo. Creioq ue é tarefa dos líderes começar aluttar para que exista tal coisa, enfatizar isso desde as comunidadese igrejas locais, no qual pastoreiam, assim também como uma maior pressão na CGADB para que isso se resolva ou que pelo menos tenha um começo. O queo meu xará falou é verddae, temos milhares de eruditos capacitados para fazer isso, além de eruditos, possuem uma vida espiritual viva e fervorosa.
Devemos começar a lutar dede já para a glória de Deus.

Abraços e Paz do Senhor