domingo, janeiro 18, 2009

Um problema (Também) Moral




Na época da Reforma Protestante, dois homens se destacaram de forma significativa, todavia um deles foi muito além e por certo sua obra na casa de Deus foi muito mais contribuitiva do que a de seu colega teólogo.

Ambos criticavam a instituição vigente, lamentando por seu afastamento dos princípios genuinamente bíblicos. Entretanto, o enfoque dado por eles era distinto. Um atentava para a moral deturpada da época, apesar do valor que dava à doutrina e instrução. O outro sempre atentou para à imoralidade e doutrina juntas. Sendo que para ele, crente(assim como eu) que a ortodoxia é a que dá o genuíno alicerce para a verdadeira e boa ortopraxia. Seu foco era do ponto de vista doutrinário, o que por certo também trazia várias implicações morais. O primeiro era holandês, o outro era alemão. O primeiro se chamava Desidério Erasmo, o outro se chamava Martinho Lutero. O segundo é que iniciou a Reforma. Enquanto que o outro foi instrumento de Deus para o restabelecimento a a doutrina essencialmente bíblica: A justificação pela Fé somente.

É interessante a lição que a história nos passa através desses homens. Erasmo, apesar de sua erudição e com grandes conhecimentos bíblicos, adotou o lema "paz e unidade"¹, enquanto que o lema de Lutero se encontrava em uma belíssima síntese de perseverança e luta pela Verdade: " Paz, se possível, mas Verdade, a qualquer custo". Lutero não teve medo de confrontar os pecados de sua época, que muitas vezes mostravam que o problema não era somente doutrinário, mas também moral. Doutrina e ética andam juntas, são inseparáveis. De tantos hereges existentes no meio cristão, não há dúvida que muitos possuem em sua motivação motriz um relacionamento íntimo com a concupiscência carnal(Jd 16). Lutero sabia que muitos falsos mestres se sustentavam pela sua autoridade e apoio dentro da comunidade eclesiástica, mas não pela doutrina genuinamente cristã. Esta, por sinal, eles pervertiam.

A igreja evangélica atual(incluindo a Assembléia de Deus no Brasil) está cada vez mais se enchendo de homens como estes descritos em Judas. Que nada mais querem do que cobiçar o poder e dinheiro juntamente com suas tendências carnais, que são muitas. Tais homens devem ser duramente combatidos (pois pervertem a fé e moral do povo de Deus) com firmeza e com a Verdade, independentemente se citarmos nomes ou não( ambos os procedimentos possuem respaldo bíblico, sendo que, obviamente, devem estar em sintonia com a sabedoria bíblica, para que não se comenta exageros no momento de referir-se aos tais).

Até mesmo homens piedosos às vezes devem ser repreendidos. Um exemplo disso é quando Paulo confrontou Pedro, haja vista este estar utilizando de fraqueza e sendo tolerante para com os hereges judaizantes( Gl 2:10-13).

É claro que a base da "crítica" deve estar intimamente alicerçada na Palavra de Deus e motivada pelo amor à Deus, Sua Palavra e às ovelhas do rebanho de Nosso Senhor Jesus Cristo. Por certo muitos que apesar de cometerem desvios doutrinários, o fazem por ignorância ou fraqueza moral, mas ainda assim são irmãos que devem ser corrigidos com amor(o que não implica necessariamente uma voz carinhosa). Todavia, há muitos que conhecem a Verdade, mas o pecado no coração já tomou as rédeas de tal forma que estes defendem a heresia com unhas e dentes e acham que estão obedecendo a Deus, mas simplesmente estão satisfazendo o próprio proveito pessoal. Muitos ocupam a liderança de nossos púlpitos, tendo por certo que estes, quem quer que sejam, também estarão presentes em Vitória para votar. Tais homens pouco se interessam por doutrina ou algo de acordo com o genuíno evangelho de Deus, mas sim em qual dos candidatos lhe trará mais poder e influência no reino de Deus. Assim como umas notinhas a mais no bolso. Porém muitos podem estar lá com propósitos até mesmo semelhantes, mas não necessariamente inclusos na classe dos falsos mestres ou obreiros fraudulentos, mas por certo estão começando a trilhar este caminho de destruição.

É necessária a união, porém tal união não pode ser feita às custas do alimento sadio que é a Palavra de Deus, tão prejudicada dentro do contexto assembleiano não necessariamente por falsos profetas, mas por muitos que acabam se enveredando pela politicagem eclesiástica juntamente com frouxura moral ou falta de integridade, sem falar da meninice. Muitos deste tipo podem até serem piedosos, mas ainda assim não são intocáveis e alheios à crítica sadia e bíblica, juntamente com um genuíno amor cristão.

Para que haja uma legítima união, é necessário arrependimento e busca pelo entendimento correto das Sagradas Escrituras. Só assim realmente a Assembléia de Deus vencerá.

E esse é o nosso profundo e genuíno desejo.

Soli Deo Gloria

Nota:

[1] Tal lema foi atribuído por mim a Erasmo, não como frase propriamente dita por ele, mas sim como o conceito que sempre marcou seu ministério.

2 comentários:

Gutierres Siqueira disse...

Victor, a paz!

É isso aí. Temos dois problemas, um de natureza doutrinária (heresias e tolerância com as heresias) e o problema moral (politicagem, fome por poder e outras imoralidades).
Ninguém está acima da crítica, como você colocou muito bem! Todos devemos ser mediados pela Santas Escrituras.

Victor Leonardo Barbosa disse...

Gutierres, a Paz do Senhor!!!!

Realmente irmão, não há como negar esse dois lados existentes. E realmente, ninguém está acima da crítica.

A Bíblia é a nossa regra de fé e prática, temos um só mediador entre Deus e os homens, Cristo.

um forte abraço irmão e obrigado por seu comentário!